São 17 anos de
carreira, duas demos lançadas, 7 álbuns (incluindo um ao vivo) e shows pelo
mundo todo. O NervoChaos é um dos maiores representantes do Metal extremo
nacional e chegou a esse patamar porque um dos motivos da banda é levantar a
bandeira do underground sem se preocupar sequer com a existência do chamado ‘mainstream’.
Atualmente divulgando “To The Death”, seu mais recente álbum e o primeiro pela
Cogumelo Records, a banda nunca esteve tão focada como no momento atual. Pelo
menos é o que nos contou o guerreiro Edu Lane (bateria) que além de falar sobre
a banda, ainda nos contou detalhes da produção deste trabalho e o porquê do fim
do ciclo da Tumba Produções.
“To
The Death” é o 5º álbum do NervoChaos e o 1º pela tradicional gravadora Cogumelo
Records. Devido a esses fatos, houve alguma pressão maior na banda para
compô-lo?
Edu
Lane: Não houve qualquer tipo de pressão. Algum tempo
atrás optamos por dar mais frequência aos lançamentos da banda e procuramos
lançar algo todos os anos, seja um disco ao vivo, um relançamento ou mesmo um novo
álbum. Em 2010 lançamos o “Battalions of Hate”, em 2011 o nosso primeiro ao
vivo, o “Live Rituals” e em 2012 o “To The Death”. A Cogumelo nos ofereceu uma
boa proposta e para nós é uma honra fazer parte deste seleto cast e pertencer a
esta excelente gravadora. Este ano iremos lançar o nosso primeiro DVD, relançar
o nosso primeiro CD e ter o novo material lançado em formato de vinil.
São
mais de 15 anos de estrada, turnês internacionais, álbuns bem repercutidos e um
nome consolidado no Metal nacional, e por que não mundial. Qual o balanço você
faz da carreira do NervoChaos?
Edu:
Este ano completamos 17 ininterruptos anos de estrada e acredito que somos bem
sucedidos na nossa proposta. Nós acreditamos que uma banda se faz ao vivo e
seguimos isso a risca. Jamais seremos do 'mainstream' e o sucesso para nós é
continuar na ativa, fazendo turnês e lançando material. Tocar numa banda de
música extrema não é para qualquer um, assim como estar na estrada também não é
para qualquer um. Há diversas dificuldades e obstáculos por essa estrada, mas
quando se faz o que se acredita e ama nada lhe tira deste caminho. Vivemos um
bom momento com a banda e tudo isso é fruto do nosso árduo trabalho.
Desde
a demo auto intitulada vocês mesclam Death Metal, Thrash Metal e Hardcore na
sonoridade da banda. Mesmo hoje, sendo uma genuína banda de Death Metal vocês
possuem essa característica própria, se é que me entendem. A que vocês acham
que deve este fato?
Edu:
A
nossa proposta inicial sempre foi essa e permanecemos fieis as nossas raízes.
Nós não nos prendemos a rótulos pré-estipulados e sempre navegamos livremente
entre as diversas vertentes da música extrema. Fazemos somente aquilo que
gostamos e para aquelas pessoas que curtem e entendem a nossa proposta. Estamos
numa constante busca pela nossa sonoridade própria e sempre iremos fazer um som
agressivo e nervoso.
“To
The Death” parece ser o álbum mais técnico do NervoChaos, mas mesmo assim a
sonoridade da banda continua soando orgânica e direta. O que você poderia nos
falar sobre isso?
Edu:
Obrigado pelas tuas palavras. Acho que, até o momento, é o nosso lançamento
mais maduro, mais técnico e onde todos os integrantes participaram ativamente
do processo de criação, isso ajudou bastante. Nós não somos uma banda altamente
técnica ou virtuose, nem queremos ser a mais rápida ou a mais gore, mas sempre
primamos pela qualidade das composições e em produzir algo que possa ser
superado ao vivo. Não queremos inventar a roda, mas sim manter ela girando.
O
novo trabalho é o marco de uma busca constante? “To The Death” é o ápice do
Nervochaos?
Edu:
Não acredito que seja o nosso ápice, mas certamente estamos vivendo um bom
momento com a banda. A nossa constante busca é pela sonoridade própria da
banda. Somos eternamente underground e por isso fazemos somente aquilo que
gostamos. Procuramos fazer músicas que transmitam energia e proporcionem uma
boa troca de energia com o público. Queremos que nossas músicas sejam ainda
mais brutais e melhores ao vivo, se comparadas às gravações em CD. Já estamos
trabalhando no novo material para o nosso próximo disco de estúdio e o objetivo
é sempre superar o trabalho anterior.
Qual
o principal diferencial do novo trabalho para o último em estúdio “Battalions
Of Hate”?
Edu:
Como mencionei anteriormente, neste novo trabalho houve a participação de todos
os integrantes no processo de composição e isso é uma grande diferença se
compararmos com o “Battalions of Hate”. O outro ponto crucial foi que saímos de
nossa cidade para termos 100% de foco no processo de gravação, ou seja, ficamos
10 dias no Rio de Janeiro focados exclusivamente no processo de gravação. Além
disso, na parte sonora, é um trabalho mais maduro e mais próximo da nossa
sonoridade própria.
“To
The Death” é um ótimo título e soa muito forte. Fale-nos um pouco sobre a
escolha desse nome para o novo trabalho.
Edu:
Obrigado. De fato, o título pode ser interpretado de várias formas e mesmo
assim soa forte. Eu vejo como uma declaração de que iremos até o fim com a
banda e seremos fieis a nossa proposta e aos nossos fãs até o fim também. Não
estamos nessa por modismo ou para ficarmos ricos e sim por puro idealismo a uma
causa. Depois de 17 anos de batalha nos sentimos cada vez mais fortes e
confiantes no caminho que escolhemos. O underground não é um modismo, mas sim
um estilo de vida.
Além
disso, o NervoChaos sempre primou por letras ácidas e provocativas,
principalmente perante à religião e sociedade. Fale-nos um pouco sobre a
abordagem dos temas de “To The Death”.
Edu:
É verdade, nós sempre abordamos temas satânicos, obscuros, anticristão e sobre
a dura realidade do dia a dia, coisas que vivemos ou presenciamos. Neste novo
material resolvemos abordar temas sobre guerra também e explorar a temática
satânica, obscura, anticristã de uma forma um pouco mais elaborada. Acredito
que o interessante é justamente ver, ouvir e saber as diferentes abordagens e
interpretações das nossas letras.
O
trabalho contou com diversas participações especiais, tais como Ralph Santolla
(Memorain, ex-Deicide, ex-Obituary), Cherry (Hellsakura), Jão (R.D.P.), Antônio
Araújo (Korzus) e Zhema (Vulcano). Como surgiu esses convites e como foi ter a
participação desse pessoal?
Edu:
É
sempre uma honra para nós podermos contar com participações tão especiais e é
uma forma de presentearmos os nossos fãs e fazermos algo especial para o
lançamento. Tínhamos uma lista de amigos que gostaríamos de contar para
participar do disco, fizemos os convites e acabamos conseguindo confirmar estas
cinco participações. Alguns não puderam participar por incompatibilidade de
agenda, por estarem em turnê ou gravando. As participações deste disco são mais
do que especiais por estarem mais focada na cena nacional e o resultado final
ficou extremamente interessante. Nós adoramos todos os solos que foram criados
para as nossas músicas.
Como
está sendo o trabalho com a Cogumelo Records. Aliás, como é está em um selo que
lançou nomes como Sepultura e Sarcófago, além de ter outros grandes nomes do
Metal atual em seu cast?
Edu:
O trabalho da Cogumelo tem sido excelente e nós estamos extremamente
satisfeitos com tudo até o momento. Eles têm uma excelente distribuição, não só
no Brasil, mas no exterior também. Além disso, fazer parte do cast de uma
gravadora como a Cogumelo para nós é uma tremenda honra, pois todas as bandas
que curtimos e que nos influenciam foram ou são da Cogumelo. É a única
gravadora totalmente dedicada a cena nacional a mais de 30 anos. Nunca se
venderam aos modismos, nunca deixaram de acreditar e apoiar a cena nacional e
fazem história até hoje. Esperamos que esta parceria seja extremamente
duradoura e que eles estejam tão contentes quanto nós.
“To
The Death” foi gravado no Flames Studios, no Rio De Janeiro/RJ, e foi produzido
por Igor e Victor “Gala”. Além disso, foi mixado e masterizado no Alpha Omega
Studios, em Milão, na Itália por Alex Azzali. Como foi a escolha por esses
profissionais e qual a opinião da banda sobre o resultado final?
Edu:
Pela primeira vez em nossa carreira optamos por sair de São Paulo para gravar o
CD. Escolhemos o Flames Studios por conhecermos o Victor há muitos anos. Ele
foi nosso técnico de som durante 6 anos. O Igor é um excelente engenheiro de
som e acabamos conhecendo ele através do Victor. Queríamos ficar totalmente
focados no processo de gravação e por estes motivos todos acabamos escolhendo o
Flames Studios. Já o Alex, nós conhecemos durante a nossa turnê europeia de
2011. Ele foi nosso técnico de som durante esta turnê e tivemos oportunidade de
acompanhar e conhecer de perto o trabalho dele, que nos impressionou bastante.
Também pela primeira vez, resolvemos mixar e masterizar o material fora do
Brasil, e o Alex nos pareceu a escolha correta. Estamos bastante satisfeitos
com o resultado final do novo CD, mas já estamos pensando em algumas coisas que
podem ser melhoradas para o próximo trabalho.
O
álbum ainda contou com a arte gráfica a cargo do mestre Joe Petagno,
responsável por capas de Marduk, Motörhead... Como vocês chegaram até Joe, como
foi o desenvolvimento da arte, ficaram satisfeitos com o resultado final?
Edu:
Joe Petagno é um artista que eu sempre admirei demais e também sempre sonhei em
ter algum material nosso produzido por ele. Queríamos algo bem orgânico para
ser compatível com a sonoridade deste material e o Joe não trabalha com
computador. Resolvi arriscar e entrei em contato com ele, que prontamente
respondeu e curtiu a nossa sonoridade e proposta. Demos total liberdade para
ele no processo de criação da arte. Mandei todas as letras e o título do CD.
Ele criou e nos mandou a arte quando estava pronta. Ficou realmente fantástico
o trabalho dele e estamos muito satisfeitos com ele.
Uma
pergunta para você Edu em particular. Recentemente você anunciou o fim das
atividades da Tumba Produções, que foi responsável por grande parte dos shows e
eventos extremos em São Paulo, tanto nacional quanto internacional, dentre eles
o aclamado Setembro Negro. O que o motivou a tomar tal decisão e há alguma
chance de você voltar a produzir shows e eventos do mesmo calibre?
Edu:
Após 17 anos agendando shows e turnês pelo Brasil e pela América Latina conclui
o meu ciclo como produtor e resolvi encerrar as atividades da Tumba. Todos os
meus objetivos foram atingidos e me pareceu o momento certo para esta decisão.
Nunca digo nunca, mas no momento este hiato é definitivo.
Podem
deixar uma mensagem.
Edu:
Muito
obrigado pela excelente entrevista, pelo espaço cedido ao NervoChaos e pelo
apoio. Visitem www.nervochaos.com.br
e vejo vocês na estrada. To the death!
Formação:
Guiller – Vocal/
Guitarra
Quinho – Guitarra
Felipe Freitas – Baixo
Edu Lane – Bateria
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