sexta-feira, 6 de junho de 2014

Entrevista


Divulgando atualmente o primeiro álbum, “Equilibrium” (2013), a banda Prólogo pode ser considerada uma das mais fortes representantes do Metal moderno de Santa Catarina. Oriundo de Criciúma, o quinteto formado por William Marchioro (vocal), Felipe Taboada e Jonas Schlengman (guitarras), Welton Souza (baixo) e Lucas Taboada (bateria) é responsável pela qualidade da música pesada atual sair fora do eixo Rio-São Paulo e tem batido de frente (no bom sentido) com grandes bandas da região sudeste. Conversamos com os irmãos Taboada, além do baixista Welton sobre vários aspectos que envolvem a banda. Com vocês: Prólogo!

Primeiramente conte um pouco de como se formou o Prólogo?
Lucas Taboada: Eu e meu irmão (Felipe) fomos influenciados a ouvir Rock desde pequenos, pois nosso pai sempre foi fã do gênero, então acabamos despertando interesse em aprender algum instrumento também por influência do meu avô que tocava. A partir daí não paramos mais, formamos uma banda de amigos para se divertir, como a maioria das bandas começam, mas chegou uma hora em que começamos a compor alguns sons e achamos que era hora de tentar levar isso a sério, o que virou um sonho a ser alcançado pra gente. Escolhemos um nome, gravamos o primeiro EP e começamos a estabelecer o que devíamos fazer. Depois disso houve algumas mudanças na formação, mas a atual já está completando três anos. A Prólogo é: William (Voz), Felipe (Guitarra/Voz), Welton (Baixo), Lucas (Bateria/Voz) e Jonas(Guitarra/Voz).

A palavra Prólogo tem diversos significados que possuem algumas semelhanças. O que o nome representa para vocês e como surgiu a ideia do nome da banda?
Lucas: O nome não tem realmente um significado em específico pra gente, nós procurávamos um nome em português e que soasse bem, essa foi uma das palavras que surgiram em nossa lista e acabamos ficando com ela. Pesquisando vimos que Prólogo seria o que antecede ou o que apresenta uma obra ou tema dela. Isso acabou se encaixando perfeitamente em como nós nos sentíamos em relação à banda, estávamos começando a nos dedicar mais a ela, era praticamente nosso tema de vida. Então unimos uma coisa à outra, mas mesmo se não tivesse uma explicação o nome continuaria sendo este eu acredito.



Como foi o processo de composição do primeiro álbum “Equilibrium”? A sonoridade encontrada nele sempre foi a proposta inicial da banda?
Felipe Taboada: O processo de composição foi bem simples. Eu e o Jonas tínhamos muitas ideias gravadas em casa, algumas até já eram um “esqueleto” simples de uma música completa. Marcamos vários dias pra nos reunir e ir finalizando os sons aos poucos, foram uns 2 meses até as gravações iniciarem. Quando as gravações de bateria começaram, ainda não estávamos com os vocais 100% prontos, mas como tivemos mais quase 1 mês de intervalo até o resto das gravações, foi tranquilo pra finalizar. A sonoridade é de certa forma a mesma, na “essência”, mas é bem diferente dos nossos primeiros trabalhos em questão de maturidade e de novos elementos como os efeitos que eram algo novo para nós e colocamos no álbum.


Afinal, a banda aposta em uma sonoridade atual e em evidência. Creio que quando iniciaram, esse tipo de som ainda não estava tão em voga. De qualquer forma, encontra-se influencias mais antigas no som da banda, como a do Thrash dos anos 90 (principalmente nas guitarras). Quais são as maiores influências da banda?

Felipe: as grandes influências que me trouxeram pra esse estilo são sem dúvidas bandas como Underoath, The Used e Linkin Park. Da parte mais agressiva nas guitarras, eu e o Jonas ouvimos bastante os discos do As I Lay Dying, The Devil Wears Prada, entre outras. Por fim e não menos importante, um disco que eu ouvi muito enquanto estávamos compondo e sem dúvidas influenciou muita coisa que fizemos nesse disco foi o “Live From Orensanz” do Taking Back Sunday, um acústico animal dos caras.
Lucas: É interessante como muitas pessoas acham que nós fomos influenciados por coisas mais antigas como você falou em relação ao Thrash dos anos 90, provavelmente fomos, mas de uma forma mais indireta acredito, porque esse não era o som que costumávamos ouvir direto, tocar cover e etc.. Mas, provavelmente, as bandas um pouco mais novas onde nós nos influenciamos foram influenciadas por essas antigas, sendo assim nós também, é louco isso.

Outro fator que chama a atenção no álbum é a coesão. Não há um destaque individual e sim um verdadeiro conjunto.
Felipe: Isso foi algo que veio naturalmente durante a composição, apesar de não planejarmos exatamente compor as músicas relacionando-as, nós tentamos ao máximo não sermos repetitivos, e o contexto geral acabou sendo criado porque utilizamos elementos semelhantes como os efeitos encontrados em várias partes do álbum, e mesmo que como detalhes, tornaram as músicas parte desse todo. Esses detalhes foram muito legais de produzir e vejo-os como o algo a mais que completou as músicas do álbum.



A maioria das bandas do Metal atual, enfim, esse gênero específico, cantam em português e possuem temas parecidos. Por que optaram em também em cantar em português e o que pretendem passar em suas letras?
Lucas: Acho que cantar em português foi uma coisa natural, desde que começamos a compor alguns sons lá em 2008-2009 já era em português. Nós tínhamos alguma noção de que pelo fato de estarmos no Brasil as pessoas se identificariam mais se as letras fossem cantadas em nossa língua. Mas acho que foi algo mais natural, até porque mesmo sabendo disso nós não almejávamos muita coisa na época, e também estávamos começando, então ninguém manjava muito de escrever letras em português, quem dirá em inglês. Nossas letras falam sobre desafios em que passamos no nosso cotidiano, a dificuldade que as pessoas têm em conviverem em paz, não deve existir preconceito contra qualquer coisa que seja, precisamos aprender que nossos direitos e liberdade acabam onde os do próximo começam, que devemos também sonhar mais e viver esses sonhos ao invés de reprimirmos eles, porque parecem ser impossíveis ou porque alguém falou que é. Enfim, problemas sociais e pessoais, nós sempre temos algo para evoluir e devemos evoluir. "Nós somos a Prólogo, lutamos para fazer a diferença, lutamos pela mudança na qual acreditamos, pelos sonhos que podem ser alcançados, e acima de tudo pelo respeito e humildade para com o próximo."

A alternância de vocais guturais com limpos é uma forte característica do estilo. Vocês acham que isso faz com que a sonoridade da banda passe a ser mais acessível, mesmo sendo pesada?
Felipe: Nunca pensamos exatamente por esse lado quando estamos compondo, para nós é algo natural, baseado no que sentimos que o momento da música precisa, mas eu acredito que sim, existem mais pessoas que “digerem” o som quando ele é mais cantado. Eu mesmo a primeira vez que escutei um gutural achei muito estranho, não foi algo que acostumei de primeira, mas que com o tempo comecei a gostar.

O disco foi produzido por Adair Daufembach que virou praticamente um perito no Metalcore nacional. Como chegaram até ele e como foi ter o trabalho produzido por Adair?
Lucas: O Adair é da nossa cidade, Criciúma/SC, então conhecemos e curtimos o trabalho dele a bastante tempo, depois de termos trabalhado com ele na mix do nosso primeiro EP (“Com Um Só Motivo” - 2009) e o Single “Tarde Demais” (2010) já sabíamos que ele era a melhor pessoa pra fazer o trabalho de produção do “Equilibrium”. Ele fez um trabalho excelente, com certeza é um dos maiores produtores do país. Nós gravamos as baterias no estúdio dele em São Paulo, e o resto do CD foi gravado aqui na minha casa e do Felipe em Criciúma. O Adair trouxe os equipamentos pra cá, montamos um "estúdio" em um dos quartos, pegamos férias dos nossos trabalhos e ficamos focados na gravação durante umas três semanas seguidas, era gravação o dia todo, foi uma experiência bem legal.

Como tem sido a repercussão do trabalho até então?
Lucas: Tem sido melhor do que o esperado, a aceitação do público foi grande e bastante gente nos elogiou pelo trabalho. Uma coisa que nos pegou totalmente de surpresa foi que a página União Underground fez uma votação pública pra eleger o melhor álbum de 2013 e nós acabamos ganhando. Definitivamente foi muito gratificante saber que nossa dedicação a essas músicas foi reconhecida dessa forma pelos leitores da página.

E como anda a agenda da banda? Há espaços para se apresentar?
Lucas: No momento só temos um show marcado dia 21 de Junho no Rio de Janeiro, vai ser nossa primeira vez lá e estamos bem empolgados, pois já recebemos diversas mensagens de pessoas do RJ falando que curtem nosso som. Após esse show provavelmente faremos alguma coisa aqui em SC e depois disso iremos planejar nossos próximos passos e futuros lançamentos. Quase todos nós trabalhamos além da banda, então as vezes fica complicado fazer muitos shows seguidos longe, e aqui não rola tanto show com bandas do estilo, mas sempre damos um jeito de tocar que é o que mais gostamos de fazer. Em abril fizemos 4 shows no estado de São Paulo ao lado de várias bandas que são nossos amigos, e também foi muito legal a experiência de sair de Santa Catarina pra fazer três shows seguidos lá ao invés de ir pra tocar um só ou raramente dois como estávamos acostumados, nunca tínhamos conseguido fazer isso até então.

Quais os planos para o resto do ano? Algo que nos possam adiantar?
Lucas: Nós temos alguns planos para fazer versões acústicas de algumas músicas do CD e também lançar alguns vídeos novos, mas nada concreto ainda. Um lançamento que está certo e próximo é o webclipe ao vivo no Hangar110 da música Lenços Sujos, não temos uma data definida, mas acredito que em Junho já esteja no ar.

Podem deixar uma mensagem aos leitores.

Welton Souza: A mensagem que deixamos é a mesma que sempre passamos através de nossas composições, que de uma forma mais ampla sempre falaram sobre desafios pessoais, igualdade, ética, problemas sociais e humanos em geral. Acreditamos que um ser nunca será perfeito e igual a outro, que devemos estar em constante evolução para nos encontrar, evoluir e ser uma pessoa cada dia melhor. Entender que não há diferença, que cada um com seus defeitos e qualidades soma como um todo, e isso você só aprende com a vida, com o tempo e as pedras que você encontra pelo seu caminho. Àqueles que se interessarem podem fazer o download gratuito do Álbum "Equilibrium" em nosso site oficial: http://prologomusic.com.br/. Acompanhe a banda pelo Facebook: https://www.facebook.com/musicprologo. Clipe, músicas, videos de viagens no YouTube: https://www.youtube.com/user/prologomusic. Gostaríamos de agradecer ao espaço cedido pelo Arte Metal. #SOMOSTODOSIGUAIS

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