quarta-feira, 16 de julho de 2014

Entrevista



Não há dúvidas de que com o debut “Supreme Art of Renunciation” (2013), os gaúchos do Symphony Draconis entraram para o seleto grupo das grandes bandas de Black Metal nacional. Afinal, misturando o som de altíssima qualidade com uma proposta estética bem desenvolvida, a banda vem ganhando espaço na cena. Conversamos com os centrados, porém simpáticos, Aym (guitarra), Thiernox (guitarra) e Follmer (baixo) que nos deixaram mais informados sobre a banda, o álbum e opinaram sobre a cena. Completam o time Stiemm Nechard (vocal) e Helles Vogel (bateria).

Como foi o processo de composição de “Supreme Art of Renunciation”? Por ser o debut da banda, houve algum tipo de apreensão?
Aym: Para dar início, Symphony Draconis agradece ao Blog Arte Metal pelo apoio. A Symphony Draconis teve seu início em meados de 2006 e em 2007 gravamos a Demo “Inside The Horned Pentagram”. Após esta época, em meio a apresentações ao vivo, iniciamos o processo de composição de novas músicas para gravação de um full álbum. Em um processo de gravação, passamos por várias etapas, desde estarmos com os sons bem ensaiados, gravação de cada instrumento, voz, acertos, mixagem... Enfim. Para que tudo saísse da forma que queríamos. A respeito de certa apreensão, isto é algo que acreditamos que deve existir com todas as bandas quando se propõem a gravar algo maior que uma demo, e não poderia ser diferente conosco. Queríamos terminar as gravações num período de tempo menor do que realmente foi, mas eventualmente contratempos aconteceram, atrapalhando, de alguma forma, a finalização. No final, “Supreme Art of Renunciation” foi lançado e está se saindo muito satisfatório para nós.

A sonoridade encontrada no trabalho alia agressividade com técnica, além de possuir certa dose de melodia, mas sem perder o peso. Fale-nos um pouco a respeito disso.
Aym: Procuramos compor de forma que todos os elementos da música soem coesos, que em sua audição seja notada a presença destes elementos como agressividade, melodia, harmonia, e, num todo, cada som seja não apenas ouvido, mas sentido, de certa forma. Cada som para nós deve soar como uma peça de uma sinfonia.

Em “Supreme Art Of Renunciation” a banda também se utiliza de belos arranjos e passagens atmosféricas que se encaixam perfeitamente às composições.
Aym: Todos temos diversas influências musicais, e, no momento da composição, isso vem à tona, como algumas passagens mais atmosféricas e arranjos mais elaborados e melódicos. Temos em mente que podemos explorar nosso potencial musical e compor de forma que não precisemos nos limitar apenas a uma forma de fazer música. Dentro de nosso estilo, isso é possível.


Outro fator preponderante é a produção do álbum. Fale-nos um pouco sobre este processo.
Aym: Como citei anteriormente, estabelecemos um planejamento com metas a serem alcançadas para chegarmos ao objetivo maior que foi o lançamento do “Supreme Art Of Renunciation”. Inicialmente, pensamos nos sons a serem gravados, como e onde seriam gravados, na capa, fotos, tema do álbum, quem faria a capa, bem como estipulamos datas para cada um destes itens. Claro que, com o passar do tempo, e mesmo em meio à gravação e pré-produção, houve alguns ajustes para que, no final, obtivéssemos os melhores resultados.

A arte gráfica também é primorosa. Como ela foi concebida?
Aym: Quanto a esta etapa, Marcelo Vasco (capas de Dimmu Borgir, Soulfly...) foi quem produziu. Por se tratar de um experiente profissional da área, passamos pra ele todas as nossas ideias de como gostaríamos que ficasse, e então ele começou este processo e foi também nos passando suas opiniões até chegarmos ao que consideramos o ideal.

O Black Metal praticado pela banda é muito bem aceito na Europa. Vocês chegaram a lançar o álbum no exterior?
Follmer: Antes do lançamento aqui no Brasil recebemos propostas de alguns selos para que este álbum fosse lançado na Europa, mas a distribuição seria feita apenas por lá. Julgamos ser mais interessante em um primeiro momento focarmos esse lançamento no Brasil para solidificarmos nosso nome por aqui para só depois focarmos na Europa ou outros lugares.

Aliás, como tem sido a repercussão do trabalho até então?
Thiernox: Tem sido ótima, tanto o público como a imprensa especializada tem nos dado um excelente retorno, seja nos contatos através das mídias sociais, nas críticas do álbum ou no retorno que recebemos do público nos shows, investindo no material da banda e marcando presença em frente ao palco. Em muito breve estaremos divulgando nosso clip para a música Transcending The Ways of Slavery o que certamente trará uma maior visibilidade para Symphony Draconis, principalmente fora do país. Como o Follmer disse acima, por enquanto o CD foi lançado apenas no Brasil, mas esperamos em breve fechar o lançamento através de algum selo no exterior, condição importante para que tenhamos uma boa divulgação e uma melhor estrutura no agendamento de datas por lá.

É interessante que além da sonoridade, o Symphony Draconis também se preocupa com a parte estética, ou seja, visual. Qual a importância deste quesito para vocês?
Thiernox: Quando você se dispõe a ter uma banda e pensa em levar isso a sério é preciso que se leve em conta vários fatores extra-música, principalmente quando falamos do Black Metal. A música nesse caso é apenas um dos elementos dentro de um contexto que vai muito além. Para nós o Black Metal é filosofia, é levado a sério na raiz de seu conceito, não escolhemos tocar esse estilo por nenhum motivo que não seja identificação pessoal com todos esses conceitos. A imagem, tanto da forma como a banda se expõe, quanto da concepção da arte do CD e das mensagens (óbvias ou ocultas) lá inseridas é a exteriorização do que acreditamos representar esse estilo. Uma real banda de Black Metal irá sempre além de alguns acordes e um crucifixo invertido.

O Brasil atualmente tem grandes nomes do Black Metal que abrangem as várias facetas do estilo, tais como Patria, Imperium Infernale, Blackmass, além das tradicionais que continuam na ativa como Amen Corner, Mystifier, Murder Rape. Como vocês vêem a cena Black Metal brasileira hoje?
Thiernox:Vejo a cena Black Metal Brasileira como uma das mais poderosas e “reais” do mundo hoje. É claro que há muita escória infiltrada nesse meio, mas essas nunca duram ou fazem história. Estou nesse meio há muitos anos e mantenho contato com pessoas do mundo inteiro. Não tenho dúvida que a verdadeira cena do Black metal brasileiro é hoje uma das poucas que mantém em sua essência a verdadeira filosofia obscura. Está inserida na vida das pessoas que vivem isso, não como hobbie, mas como uma escolha que as acompanhará para sempre. Musicalmente falando também posso afirmar que o Black Metal Brasileiro é referência positiva em qualquer lugar do mundo!


Muito obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Symphony Draconis: Mais uma vez queremos agradecer pela oportunidade e apoio do Blog Arte Metal, e também aos seus seguidores e leitores. Estaremos nos próximos meses divulgando o novo vídeo clipe oficial da banda. Estamos com várias datas fechadas de shows até o fim do ano as quais vocês podem conferir junto com as novidades ligadas a banda em nossa pagina no Facebook:  fb.com/symphonydraconis 


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