sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Em Nome do Medo – “A Brazilian Tribute To Moonspell” – 2014 - Heavy and Loud Press/Burn Productions (Nacional)

Já adiantando, sem bairrismo e muito menos demagogia, “Em Nome do Medo – A Brazilian Tribute to Moonspell” é um dos tributos mais interessantes e honestos que já vi. Em meio a tantos caça-níqueis, esta homenagem soa sincera e digna de respeito, até porque está disponível gratuitamente para download.

São 18 bandas brasileiras, de praticamente todas as regiões, prestando um tributo a maior banda da história do Metal português. Mesmo não sendo uma banda tão antiga assim, o Moonspell foi e é influente, sendo digno de merecer tal homenagem.

Os trabalhos mais sombrios da banda foram o foco do repertório, e no que se diz ao conteúdo do trabalho ele soa como todos os tributos. Isto é, há momentos memoráveis, alguns medianos, outros que não deram certo, mas nenhum momento horrível, assim por dizer.

Mais uma vez fica evidente que as bandas não investem tanto em produções quando se trata de tributos, pois dá pra sentir que há bandas muito bem produzidas em seus trabalhos autorais, que aqui não se esforçaram muito pra fazer com que seu som ficasse acima da média, mas isso não é uma generalização.

Falando de coisas boas, começamos do início. O Malkuth abrindo o álbum foi um acerto e tanto. Além de se tratar de uma banda tradicional do Black Metal nacional, os pernambucanos fizeram uma ótima versão para Tenebrarum Oratorium. Outro tradicional grupo de Black Metal, o Pátria fez uma versão quase fiel a Wolfshade, sendo que deixaram de lado os vocais limpos e meteram sua identidade na composição.

A versão para Of Dream and Drama, do Soturnus é aquela que soa como diferenciada, com uma roupagem nova, mas que ficou interessante, o que não pode ser dito sobre o Silent Cry que fez uma versão bem morna de Opium. Enquanto isso Malefactor e As Dramatic Homage deram suas caras a Alma Mater e Full Moon Madness, respectivamente, sendo que a banda carioca ficou mais próxima da original, até pelo seu som ser influenciado pelo Moonspell.

Das que tentaram dar sua cara às composições e não obtiveram êxito podemos citar Obskure e Helllight. Mesmo as versões não ficando ruins (longe disso) não empolgam tanto. Há altos e baixos, além de médios, mas de ruim mesmo não podemos mencionar nada, até por se tratar de um repertório rico e canções fortes criadas durante os 22 anos de Moonspell.

A capa, de autoria do designer e um dos idealizadores do projeto Alcides Burn, apresenta duas espécies de lobo: o brasileiro guará e o português ibérico, sendo mais um ponto positivo do álbum, pois une uma belíssima arte com uma ideia brilhante dos laços Brasil/Portugal. Ué, ainda não baixou?


8,0

Vitor Franceschini


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