terça-feira, 24 de novembro de 2015

Entrevista: Stoneria



Por Vitor Franceschini

Imagina se nomes como Stooges, MC5, Black Sabbath e Titãs se fundissem e resolvessem apostar em uma sonoridade atual? Pois é mais ou menos isso no que o Stoneria aposta. Afinal, encontramos em seu primeiro álbum auto-intitulado elementos que vão desde o Pop/Rock Nacional, passando pelo Punk, Stoner Rock e até Metal. De uma forma bem tocada e com peso, o grupo destila uma música diferente e interessante. O guitarrista Pedro conversou com o Arte Metal e falou um pouco mais sobre a banda, sua proposta e o álbum. Completam o time JJ Zen (vocal), Arthur (bateria) e Jimi (baixo)

Primeiramente, uma pergunta de cunho até particular (risos). Quando vi o nome da banda imaginei que seria um autêntico grupo de Stoner Rock e/ou Metal. Mas a banda é mais que apenas isso. Qual o sentido do nome Stoneria?
Pedro: O nome da banda sempre gera essa confusão, a gente se acostumou com isso, no decorrer do tempo. O nome veio de uma brincadeira, ainda antes de eu entrar na banda, apenas o JJ Zen e o Art faziam parte, por uma influência do Stones, e pelo fato de ocorrerem muitas confusões nos shows. Sempre apareciam pessoas alteradas demais, tanto pelo álcool, como por outras substâncias, e geravam situações inusitadas, e começaram a falar que "tava começando a 'stoneria!". Não que muita coisa tenha mudado de lá pra cá, entraram novos integrantes, gravamos nosso material, mas ainda continuam ocorrendo situações curiosas.

Como eu disse, a banda não aposta apenas em um estilo e faz uma mescla interessante que inclui elementos do Rock alternativo, Punk, Rock nacional e Classic Rock. Como vocês se definiriam, mesmo a maioria das bandas não gostando de se rotular? (risos)
Pedro: Nós nos definimos como uma banda de Rock! Rock puro e simples. O estilo já abrange muita coisa, e permite absorver elementos de outros estilos musicais, e isso reflete no nosso som, na mistura que fizemos, mas nunca nos venderemos como uma banda que seja outra coisa, a não ser o Rock.

Aliás, esses elementos são as reais influências de vocês?
Pedro: A gente sempre procura trazer algo que seja interessante, ou que pareça interessante, pro nosso som. Como falado, nós tocamos e ouvimos rock, mas estamos sempre abertos pra o que vem de fora, desde que acrescente algo positivo.

A sonoridade, aliás, passa uma aura de música inteligente, mas que ao mesmo tempo apostam em algo mais ‘debochado e ‘escachado’ (incluindo nas letras). Falem-nos um pouco a respeito disso.
Pedro: Cara, ficamos felizes que passamos essa impressão! (risos) Acontece que o Rock aqui no Brasil, já tá cheio de letras bonitinhas demais! Não nos achamos arrumados o suficiente pra isso, e as músicas e letras refletem esse aspecto. Além disso, as bandas que ouvimos, dão esse tratamento para os temas das suas músicas, e naturalmente, a gente seguiu o mesmo caminho.



E como foi trabalhar no primeiro disco? Como é o processo de composição da banda?
Pedro: Foi um processo longo e cansativo, mas foi lindo! Meses antes de entrarmos em estúdio, começamos a definir os arranjos, solos e BPM de cada música, e fizemos uma série de ensaios com o metrônomo. Tivemos apoio do nosso amigo Flávio Gois,     que por motivos de agenda, não pôde assumir a produção. Nesse meio tempo, entramos em contato com alguns estúdios, que gravam artistas e bandas do mesmo estilo que o nosso, e o pessoal do El Rocha nos apresentou a proposta mais interessante, tanto pela maneira como eles trabalham, quanto pelo espaço e equipamentos disponíveis. Foi 1 semana de gravação, e levamos 3 dias pra gravar todas as bases, que foram realizadas com todo mundo tocando junto,  o que garantiu esse som mais natural e orgânico, e usamos o restante dos dias pra gravar solos, guitarras adicionais e vozes. Foi um belo aprendizado, pois ao final do processo, nós vimos que éramos uma banda muito mais consistente! Nosso processo de composição é o mais simples, algum membro da banda apresenta alguma idéia de riff, melodia ou levada, e vamos criando cada parte em conjunto, e o JJ Zen apresenta as letras depois, pois ele quer sentir a pegada de cada música, pra definir um tema ideal pra letra. Claro que há exceções, em que alguma música já é apresentada praticamente pronta, faltando apenas a parte da voz, mas no geral, é um processo em conjunto.

Sei que os músicos nunca ficam completamente satisfeitos com o resultado final (o que é, de certa forma, positivo). Mas vocês conseguiram atingir o nível desejado no disco?
Pedro: Isso é normal pra todo músico, ninguém fica totalmente satisfeito com o resultado final do disco, sempre acha que podia ter feito algo a mais ou diferente. Sempre que ouço o disco, tenho essa sensação que alguns trechos, eu podia ter tocado melhor, ou ter feito outro solo, mas a gente convive com isso e tenta fazer melhor no próximo trabalho. Apesar disso, o resultado do disco ficou dentro das nossas expectativas, e o mais importante, é que as pessoas estão ouvindo e gostando, e isso já é um sucesso! Queremos agora, é mais.

Outra coisa que chama atenção é o fato de vocês serem músicos de alto nível, mas seguirem um caminho mais simples. Porém, a banda está longe de soar comum. O que podem falar a respeito?
Pedro: As músicas foram escritas em momentos diferentes, e já tinham essa proposta da simplicidade intrínseca ao Rock. O que fizemos ao longo do tempo, e com a entrada de novos integrantes, foi trabalhar em cada música pra chegar no melhor resultado que conseguíssemos. Como cada um tem uma vivência diferente, os arranjos finais soaram simples, mas com um "Q" a mais.

A música A Cela foi escolhida para o videoclipe. Por que a escolheram? Como foi trabalhar no vídeo e qual importância vocês vêem em lançar algo neste formato?
Pedro: Antes de lançarmos o disco físico, lançamos o material primeiro na internet e logo após, decidimos fazer um clipe pra dar uma "pré-impulsionada" nele, digamos assim. Fizemos um levantamento de quais eram as músicas com mais acesso, e das 3 que         estavam no topo, começamos a pensar num roteiro para o vídeo. Como rolaram inúmeras divergências, decidimos chamar nosso amigo Leo Ronqui, do Nuestro Odio, pra produzir nosso clipe, pois ele já tem um trabalho nessa área. Apresentamos as 3 músicas escolhidas, e no prazo de uma semana, ele entregou pra gente o roteiro pra A Cela, e a gente abraçou na hora. Foram 2 dias de gravação, o primeiro pra filmar a banda tocando, e o segundo, pra filmar as pessoas interagindo, usando apenas 2 câmeras. O vídeo tem ganhado uma importância cada vez maior, é a porta de entrada pro artista, pras pessoas conhecerem o trabalho do mesmo. A imagem tem tomada uma relevância muito grande no meio, e o vídeo mistura isso, a imagem do artista, com o trabalho dele. É cada vez mais comum a banda soltar pelo menos um videoclipe, antes de lançar o disco.

E como tem sido a repercussão de “Stoneria” até então? O trabalho de divulgação tem permitido mais shows, enfim, qual espaço vocês têm conquistado?
Pedro: Até o momento, tivemos uma repercussão bem positiva, tanto do público, quanto em resenhas que fizeram do nosso trabalho. De lá pra cá, surgiram cada vez mais oportunidades melhores, tocando em eventos de prefeitura, festivais independentes, fechando parcerias com bandas de amigos, conseguimos também colocar nossa música na Kiss FM, com a ajuda do locutor e amigo Rodrigo Branco. Mas a música autoral ainda tem um espaço muito limitado. É uma batalha constante, mas cada pequeno passo que damos pra frente, a gente se sente mais animado pra dar o próximo
           
Muito obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Pedro: Eu que agradeço a oportunidade! Para quem está lendo, ouçam o nosso trabalho, Stoneria com S mudo! E pra quem está lendo, e também quer ter uma banda, mostrar o seu trabalho, saiba que é difícil, mas jamais deve desanimar. Sem dificuldades, a vida não teria graça. E claro, não deixem de acessar o portal Blog Arte Metal!


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