quinta-feira, 28 de julho de 2016

Entrevista: Demolition



Por Vitor Franceschini

Acabar de lançar um trabalho e sofrer uma mudança na formação. Isso não é exclusividade da banda mineira Demolition, que divulga o EP “Manipulation For Tragedy” e já sofreu baixa com a saída do vocalista, afinal, há vários casos semelhantes no Metal. Mas, a rápida adaptação à situação foi um truque de mestre do quarteto mineiro. Para falar sobre isso, o trabalho em si e mais assuntos da banda, conversamos com o quarteto que é formado pela recém chegada Thaís Teixeira (vocal), Gabriel Vieira (guitarra), Junior Silveira (baixo) e Wagner Oliveira (bateria).

A pergunta que não tem como não fazer. Com um EP pronto e prensado na mão, no caso “Manipulation For Tragedy” (2016), o que aconteceu com a saída do vocalista Zenn Augusto?
Gabriel Vieira: Quando Zenn saiu da banda, não tivemos muita dificuldade para encontrar um vocal para preencher o espaço, a nova ideia era apresentar ao público algo de novo e não demorou muito para chamar a Thaís pra uma audição com as músicas da banda, uma vez que já tínhamos em mente a participação dela em alguns covers do Sepultura quando fossemos tocar em Governador Valadares/MG, ela chegou até fazer 2 ou 3 ensaios conosco e vimos seu potencial. O maior problema com a saída do Zenn foi que tínhamos acabado de aprovar a prensagem dos CD's e seria ruim fazer um lançamento de um material de alguém que já não é mais membro da equipe, mas a Thaís se dispôs a regravar as músicas e logo depois tivemos a ideia do QR Code no CD pra divulgar o que havia de novo na banda.

E como chegaram até Thaís Teixeira, enfim por que ela foi a escolhida e como foi a rápida adaptação dela, já que regravaram as músicas do EP com seus vocais?
Wagner Oliveira: A Thaís sempre acompanhou a vida da banda até porque ela é minha esposa (risos), e sempre apoiou a banda em tudo que foi possível, quando houve a saída do ex-vocalista, abanda se reuniu, e decidimos fazer um teste com ela, e desse teste ela se adaptou super bem e muito rápido, até porque ela conhecia e é amiga de todos da banda. Ela pegou as músicas muito rápido, ensaiamos para entrada no estúdio, ela sempre mantendo o que foi feito, mais sempre colocando sua pegada e agressividade no modo de cantar.

O Thrash Metal da banda soa mais denso do que é comum no estilo, o que pode ser comprovado em “Manipulation For Tragedy”. Esse sempre foi o foco da Demolition?
Wagner Oliveira: Sim, nossa intenção sempre foi fazer músicas com essa densidade, porque sentíamos necessidade de fazer algo diferente. A banda nunca teve intenção de ser uma cópia ou uma banda que tenha uma influência somente de um estilo ou uma banda, com isso, saiu o "Manipulation for Tragedy".

Inclusive o Thrash Metal está um tanto quanto estagnado com o retorno em massa de bandas que tocam de forma nostálgica o estilo. Portanto, a maioria soa igual, o que não é o caso da Demolition. Como fazer algo diferenciado em um estilo tão explorado?
Wagner Oliveira: Cara não é fácil, até porque hoje em dia nada é totalmente novo, quando você pensa em algo, alguém já fez parecido. Mas, a Demolition aposta na versatilidade de cada músico da banda trazendo suas ideias e suas influencias pra que o som da banda soe diferente.

E como trabalharam na produção do disco? Afinal, o trabalho soa moderno, mas mantendo as raízes do estilo e sem atingir os padrões artificiais atuais.
Wagner Oliveira: Então, a banda tem músicos que tem uma versatilidade e ecleticidade muito grande. A parte de ideias do Thrash tradicional fica a cargo do guitarrista Gabriel Vieira, ele tem uma influência muito grande das grandes e tradicionais bandas de Thrash como Slayer, Metallica, Anthrax e etc. Nosso baixista ele vem de uma pegada Hard com baixos mais precisos e marcantes, acompanhando com perfeição os arranjos ou da batera ou os duetos com as guitarras. A Thaís por mais que ela não estava na banda, ela sempre ajudou na composição como na música Illusion Of Fear onde a letra é de sua autoria. Ela tem uma facilidade pra escrever as ideias da banda e tem uma musicalidade mais voltada pro Death Metal que é de onde vem a agressividade nos vocais e no modo de cantar. Eu fico encarregado em tentar fazer as bateras ficarem um pouco fora do tradicional, como viradas típicas, levadas típicas, trago minhas influências do Metalcore, Deathcore, Hardcore. Com isso as ideias são das mais variadas possíveis, a gente faz uma filtragem nas ideias e adaptam todas as que serão aproveitadas pra dentro do Thrash Metal, que é um estilo que todos da banda gostam muito. A banda tem uma teoria que é a seguinte: "se for pra ser igual a outras, melhor não existir."

E como foi o processo de composição do EP, enfim como vocês trabalham? Cada um traz uma ideia ou costumam compor em conjunto?
Wagner Oliveira: Todos vão reunindo algo que compõe em casa, e nos dias selecionados para compor, levamos todo o material composto e ali vemos o que será aproveitado e o que será guardado. Nada é totalmente descartado, e sempre na hora de compor estamos juntos, porque assim temos mais facilidade de compor um refrão que fique confortável pra Thaís colocar a melodia de voz que ela tem em mente pra aquele momento, ou uma base que fique melhor pro solo que o Gabriel tem em mente, ou até mesmo um groove de batera que encaixe no que o Junior tenha criado, e assim as músicas saem muito fácil.



Como falamos antes, o EP foi regravado com os vocais de Thaís. Vocês mexeram alguma coisa para adaptar as linhas dela nas músicas de “Manipulation For Tragedy”?
Wagner Oliveira: Não não, nada foi mudado, a Thaís teve uma ótima percepção pra conseguir adaptar o que ela tinha em mente pra fazer nas músicas e colocar sua pegada sem que precisássemos mudar algo. Foi super fácil trabalhar com ela, ela é muito dedicada e focada, isso facilitou muito o processo de regravação.

Thaís mostra um lado mais agressivo ainda e seu timbre soa um tanto quanto Death Metal, isto é, é mais um elemento extra para a sonoridade da banda. Vocês concordam com isso?
Wagner Oliveira: Com certeza, as influências dela são muito puxadas pro lado do Death Metal, e isso foi ótimo pra banda como havia falado, e um toque a mais que a banda pode usar a seu favor nas composições.

Thaís, você é nova no quesito ‘vocalista’, porém, sempre procurou estudar e trabalhar seu vocal. Como foi estrear tanto em estúdio, quanto ao vivo com a Demolition e como você descreve este momento?
Thaís Teixeira: Entrar em estúdio foi um desafio que não foi tão difícil, pois tive o apoio de toda banda inclusive do baterista Wagner Oliveira que é o mais experiente nessa área. Ao vivo foi muito bom porque pude viver o que a banda fazia nos ensaios, e além de fazer um show bem profissional, foi uma diversão estar com o pessoal da Demolition no palco que me deixou muito a vontade, esse momento foi realmente emocionante!! Eu sempre quis estar à frente de uma banda e recebendo tantas demonstrações de respeito e carinho como vem acontecendo, me provam que vale a pena cada tentativa, cada minuto, cada dia, cada incompreensão. Tenho uma coisa que é muito rara hoje em dia... Vontade e determinação!!

E para a banda, como tem sido o trabalho com a nova vocalista? O que mais ela tem agregado tanto à sonoridade, quanto ao ambiente da Demolition?
Wagner Oliveira: Ela agrega além da agressividade e influências, uma coisa que é muito bacana que é a força que ela passa para galera, mesmo na hora que a coisa tá difícil, ela tá ali pra dar força, e nunca deixar algo abalar a banda. Numa banda ou em qualquer área da vida acho que não basta só ter músicos bons e terem uma boa convivência, tem que ter foco, querer a mesma coisa, tem que ser a pessoa que levanta a galera quando fica foda, e a Thaís sempre foi assim mesmo antes de entrar na banda. A Thaís veio com a mesma vontade que eu, Gabriel e o Junior temos.

Como dissemos, a mudança na formação veio após o lançamento físico de “Manipulation For Tragedy”. A banda regravou as músicas e disponibilizou um código para quem adquirisse o EP pudesse ouvir as versões com Thaís digitalmente. Como surgiu essa ideia e como foi a aceitação do público? Aliás, deve ter sido corrido e trabalhoso tal processo, não?
Junior Silveira: Com a mudança de vocalista, sentimos a necessidade de mostrar para o público a nova voz da Demolition. Como nosso primeiro EP estava pronto, seria um desperdício se não divulgássemos o material, apesar da mudança. A ideia do QR Code veio justamente para mostrar a nova voz da banda! Quem adquirir o material físico terá também a mídia virtual para ouvir. A função do QR Code é servir como atalho para o link de download, facilitando o acesso aos arquivos. O público reagiu bem, afinal de contas, é praticamente dois EP’s no preço de um! Muitos elogiaram a ideia, visto que a ferramenta serve também para liberação de outros materiais, como se fosse um bônus. O processo de regravação teve quer ser às pressas, mas nem por isso deixamos a qualidade ser prejudicada por isso.

Aliás, como está a repercussão do EP até então, tanto por parte da mídia quanto por parte do público? Algum outro país mostrou mais interesse pelo EP? Chegaram a divulgar no exterior?
Wagner Oliveira: Cara, tá muito boa, a gente até tem se surpreendido com as resenhas e com a aceitação de quem escuta o EP, só criticas boas sobre o EP, notas muito boas, todos os sites, blogs, falando super bem da banda, e conseguimos entrar na Europa através das rádios que têm tocado o som da banda. Temos um amigo que nos ajuda muito também com as composições, que é um grande amigo de todos da banda e já toquei em bandas com ele que é o musico Phillipe Dutra da banda Orpheum da Inglaterra, e na Itália, e alguns outros países na Europa. As críticas que vêm da Europa são as melhores possíveis também, estamos muito felizes com o que está acontecendo com a banda.

E quais os planos no trabalho de divulgação, como anda a agenda de shows, enfim...?
Wagner Oliveira: A banda tem uma assessoria muito competente sendo direcionada pelo nosso brother Fabio Reis, que nos ajuda muito na divulgação, e a banda também tem os amigos e colaboradores, que nos ajudam a levar o nome da banda pra outros lugares fora do Brasil. Com o EP em mãos, a divulgação é melhor porque as pessoas podem escutar o som e ir passando pros amigos, isso também tem ajudado na agenda de shows. Estamos fechando alguns shows, e tem aumentado gradativamente a medida que a banda vai chegando ao conhecimento da galera e dos produtores de eventos, estão nos procurando pra fechar alguns shows. Nosso foco é conseguir mostrar nosso trabalho no máximo de lugares possíveis, e poder mostrar que o Metal nacional tem bandas tão boas e profissionais quanto as gringas.

Muito obrigado, este espaço é de vocês.
Demolition: Gostaríamos de agradecer ao Arte Metal pelo espaço aberto pra banda, agradecer à todas as pessoas que tem apoiado a banda de alguma forma, comprando o material ou mesmo compartilhando alguma coisa da banda. Agradecer ao Fabio Reis pelo corre de sempre, e dizer que esse ano ainda, a banda lançará um single que estará no full que será gravado no primeiro trimestre de 2017, um vídeo clipe desse single e podem esperar uma álbum cheio de novidades e muito peso, com muitas influências pra manter a banda diferenciada do tradicional, sem perder a veia Thrash Metal.


2 comentários:

  1. A nova vocal trouxe mais conteúdo e volume fonético à banda! Estão todos bem encaixados enfim, ficou bom demais!

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  2. Caralho, recebi ontem o EP e só tenho que dizer : que diferença do caralho estão todos de parabéns, aguardo todos aqui no Acre

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