terça-feira, 4 de julho de 2017

Aberratio: "Sobre Minas ser o celeiro (do Metal extremo), isto está no passado"



Por Vitor Franceschini

A banda mineira Aberratio lançou no final do ano passado seu primeiro e auto-intitulado trabalho. Honrando o Metal extremo de Minas Gerais, o grupo mostrou uma versatilidade dentro do Death Metal pouco vista nos dias atuais e vem colhendo frutos dessa empreitada desde então. O baterista Yuri Almeida conta mais sobre a banda e seu trabalho, que ele gravou ao lado de David Andrade (vocal), Julio Cesar (guitarra) e Nathan Franco (baixo)

O Aberratio surgiu em 2013 e em 2016 lançou seu primeiro registro auto-intitulado já em formato de full-lenght. Vocês chegaram a lançar algo antes em outro formato?
Yuri Almeida: Lançamos direto um full.

E como foi o processo de composição do debut? Enfim, como a banda trabalha na hora de compor e produzir o disco?
Yuri: A base das músicas é feita em sua maioria pelo guitarrista, Júlio. No estúdio damos nossas pitadas. As linhas das baterias e baixos ficam por conta de cada músico. Como gosto de escrever, a maior parte das letras e linhas dos vocais são feitas por mim, mas o tapa final fica por conta mesmo do vocal David.

O fato de a banda vir de um celeiro forte dentro do Metal extremo, que é Minas Gerais, além deste ser o primeiro disco, fez com que houvesse uma pressão na hora de compor e produzir o material?
Yuri: Jamais nos sentimos pressionados porque não fazemos música para agradar as massas ou ao mercado, fazemos Death Metal por amor ao estilo. Sobre Minas ser um celeiro, isso está no passado. Vivemos uma crise por diversos motivos e não é só em MG, infelizmente.

A sonoridade da banda, apesar de investir no Death Metal, é bem diversificada dentro do estilo. Essa é a intenção de vocês ou as influências das várias facetas do Death Metal trazem isso naturalmente?
Yuri: Tocamos de forma natural. Cada músico tem sua influência. Eu ouço muito Autopsy e talvez por isso sempre coloco partes mais Doom nas músicas enquanto o vocalista tem influências do Brutal e Black Metal e acaba impulsionando as partes mais porrada.

Outro ponto chave em “Aberratio” é a maturidade da banda. Mesmos sendo um primeiro disco, vocês mostram um conhecimento profundo no estilo. Fale um pouco a respeito disso?
Yuri: (risos) A banda é formada só por nego velho, a maioria já passou dos 30 anos a um tempo. Isso significa que crescemos ouvindo música tradicional. Não tivemos influências das porcariadas de hoje, como esses New Metal ou estilos que se dizem melódicos, quando na verdade tocam um som muito distante do Metal.



O trabalho também soa atual, mesmo carregando influências de nomes antigos do estilo. Outro fator é a versatilidade e técnica da banda. Como equilibrar tudo isso?
Yuri: Para tocar Death Metal tem que conhecer um pouco de música, tem que ter alguma técnica. Apesar do preconceito, o estilo tem suas peculiaridades. Tocamos com guitarra de 7 cordas e baixo fretlles, o que precisa de alguma noção. As baterias dentro do estilo são bem diversificadas. Um músico meia boca toca Raul e até Guns, mas se aventurar no Death Metal fará porcaria.

Outro trunfo da banda é o fato de as composições serem longas, mas não soarem cansativas. Expliquem essa fórmula? (risos)
Yuri: (risos) Toda banda que tem uma pegada mais arrastada precisa de tempo. Assyrians e Satan Doom são exemplos disso. Temos que ter tempo para partes mais Doom e partes mais brutais.

Isso mostra uma leve influência de Doom Metal, confere? Também é um estilo que a banda aprecia?
Yuri: O baixista Nathan gosta de Doom. Eu sou tarado, ouço muito Solitude Aeturnus, Trouble, Saint Vitus, My Dying Bride, etc.

E como surgiu a oportunidade de lançar o disco com a Heavy Metal Rock? Aliás, como e trabalhar com eles? A divulgação e repercussão do trabalho tem sido boa?
Yuri: Sou cliente da loja Heavy Metal Rock há muitos anos e fiquei muito feliz do Wilton Christiano ter apreciado nosso som. Ele é muito profissional e tem lançado bandas com uma qualidade muito boa. O cara tem faro. Somos muito gratos a Heavy Metal Rock por tudo que fez e tem feito pela banda. Sobre a repercussão, estamos satisfeitos, pois somos uma banda underground.

Por fim, quais os planos da banda para o segundo semestre, além de divulgar o primeiro disco ainda mais?
Yuri: Queremos mais oportunidades para tocar nosso som. Nas gravações tínhamos um alvo: gravar como realmente tocamos. Assim sendo, não há surpresas em nosso show, é o que está no CD. Valeu pela força Franceschini!


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