sexta-feira, 20 de julho de 2018

Anthrax – “Kings Among Scotland”


(2018 – Nacional)

Shinigami Records

Você já viu um ‘mosh pit’ de um show do Anthrax? Não, então falta bastante coisa em termos de brutalidade para você conhecer dentro do Metal. Podem haver outros mais intensos, outros maiores e outros mais agitados... Porém igual os que o Anthrax consegue proporcionar com sua música não há nenhum, e é difícil explicar.

Celebrando um brilhante momento, onde conta com 95% de sua formação clássica (apenas o discreto, porém ótimo guitarrista Jonathan Donais, também do Shadows Fall, é o ‘intruso’ – no bom sentido), o Anthrax chega a esse super lançamento que saiu em dois formatos separados (o outro é o DVD e a resenha segue logo abaixo), mostrando a banda em sua última turnê, que passou pelo Brasil inclusive.

Gravado em 15 de fevereiro do ano passado em Glasgow (Escócia), no Barrowland Ballroom, são duas horas de uma aula de Metal, pois o Anthrax está acima do Thrash Metal e seu leque é muito mais abrangente, chegando a emocionar já desde a primeira audição.

São 18 composições que abrangem toda a carreira da fase Joey Belladonna, incluindo as novas Evil Twin, Breathing Lightning e Blood Eagle Wings do mais recente “For All Kings” (2016) e Fight 'Em 'til You Can't de “Worship Music” (2011), que soam muito bem ao vivo.

Mas é claro que nos clássicos é que o bicho pega, e não falta A.I.R., Madhouse,   Caught in a Mosh, Indians e Antisocial, que encabeçam tudo, destroem tudo! E como é interessante músicas nem tão lembradas como Be All, End All de “State of Euphoria” (1988), além de A.D.I. / Horror of It All e Imitation of Life de “Among The Living” (1987).

E mesmo diante de um set como este, este que vos escreve consegue sentir falta de músicas como Make Me Laugh e Now It’s Dark, ambas do já mencionado “State of Euphoria”, mas isso é coisa de fã mesmo e não tem como passar em branco. Claro que essa falta é suprida por outras infindáveis qualidades do trabalho.

9,0
Vitor Franceschini


Anthrax – “Kings Among Scotland”
(2018 – DVD – Nacional)

Shinigami Records

Além do CD duplo resenhado acima, o selo brasileiro  Shinigami Records lançou separadamente o DVD que consta o mesmo show e repertório. Claro que com os óbvios diferenciais, sendo um deles a oportunidade de também ver e não só ouvir o show, que tem a mesma qualidade sonora, excelente por sinal.

Intimista, o Barrowland Ballroom parece o lugar perfeito para um show do Anthrax. Quando as câmeras mais distante e da grua são selecionadas, dá a impressão de que público e banda são uma coisa só, estando ali juntos celebrando. O único ‘porém’ e até contraditório detalhe (devido ao que foi comentado no início da resenha do CD), é que a plateia escocesa é ‘comportada’ para os parâmetros do Anthrax. Coisa de europeu.

Poder assistir a performance da banda nota-se que a música nova que mais funciona é Evil Twin e dentre os clássicos, praticamente todos soam demais. Mas há uma confirmação. Efilnifukesin (N.F.L.) pode não ser unanimidade, mas é uma das melhores músicas do Anthrax, pronto e acabou.

Não precisa dizer que a filmagem com diversos ângulos de captação, feita pela Film 24 Productions é soberba, conseguindo transpassar toda a energia da banda com detalhes, que aliás, dispensam apresentações. Afinal, estamos diante de Scott Ian, o melhor guitarrista base da história, do monstro das baquetas Charlie Benante e do ‘forever young’ Frank Bello (baixo).

Jonathan Donais é discreto, mas tire os olhos do cara e olhe em suas mãos, como palheta bem, além de cuidar dos solos de alguns dos maiores clássicos do Thrash Metal de todos os tempos com maestria. Com quase 60 anos ‘nas costas’, impressiona como Joey Belladonna ainda possui energia e, o mais incrível, o cara está cantando melhor que há 7 anos atrás, quando retornou à banda.

‘Nossa, mas que resenha mais chove no molhado’, podem estar dizendo diversos leitores, porém é isso mesmo. O DVD só não é melhor por não trazer mais bônus, mas o conteúdo é suficientemente bom para alegrar a gente. Não foi ao show do Anthrax ainda? Vá, enquanto isso mate a curiosidade com “Kings Among Scotland”.


9,0

Vitor Franceschini


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