quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Arandu Arakuaa – “Mrã Waze”


(2018 – Nacional)

Independente

Não bastasse ser o terceiro disco do Arandu Arakuaa, “Mrã Waze” (respeito à natureza no idioma indígena brasileiro Akwẽ Xerente) praticamente inicia uma nova fase da carreira da banda. Isto pondo que o terceiro trabalho define se a banda é tudo aquilo que propôs e ainda por cima, neste caso, algumas estreias permearam o trabalho.

Além da nova vocalista Lís Carvalho (também pífano e apito), estrearam na banda o baterista e percussionista João Mancha (Mofo) e o guitarrista Guilherme Cezario. Porém, o multi-instrumentista Zândhio Aquino continua como mentor do grupo, que é completado por Saulo Lucena (baixo).

Sonoramente falando o Arandu apresenta uma evolução natural de sua música ‘Folk’, onde o Metal se reinventa ao ser mesclado com a música folclórica indígena brasileira, do qual Zândhio é exímio conhecedor, inclusive das línguas tradicionais do qual as músicas são cantadas.

O trabalho é primoroso desde a semi-introdução Sy-gûasu (grande mãe, no idioma Tupi) que é maravilhosa, passando por riquezas imensas de arranjos em faixas como Gûaîupîá (espírito dos pajés bons, no idioma Tupi), Huku Hêmba (espirito da onça, no idioma Akwẽ Xerente) e a pesada Îagûara Kûara (toca da onça, no idioma Tupi).

Em “Mrã Waze”, apesar dos momentos marcantes e intensos na linha Metal, com guitarras pesadas e levadas agressivas, a música típica indígena se faz muito mais presente nos arranjos, com a viola caipira aparecendo quase o tempo todo, a percussão rica e os chocalhos, além de coros típicos de rituais indígenas, palmas e até batidas de pés.

Lís parece que está na banda há muito tempo, com seu vocal suave e interpretação branda, que traz a parte da paz nas composições, sendo que Zândhio se responsabiliza pelas vocalizações típicas e os raros guturais que aparecem nas músicas. Tudo com climas variados, que vão do belo som ambiente da natureza, até levadas mais melódicas e momentos mais rápidos e agressivos.

O disco é conceitual e gira em torno da relação do homem com a natureza, o uso das medicinas de cura nas quais os pajés trabalham com as forças da natureza e os espíritos dos animais, além de toda a mística da lua e do sol. Por fim, a produção sonora geral é acima da média, a cargo de Caio Duarte no Broadband Studio, e continua soando orgânica, porém atinge uma atmosfera mais atual. O Arandu Arakuaa é uma grata realidade e merece voar, voar muito, mas muito alto.


9,0

Vitor Franceschini

Um comentário:

  1. SENSACIONAL! Mostrando as verdadeiras raízes e donos desse país! GENIAIS!!!

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