quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Chaos Synopsis: "Desde que a banda não tinha nada, já tratávamos o nome como algo grande"




Por Vitor Franceschini

O Chaos Synopsis é hoje um dos principais nomes do Thrash/Death Metal paulista. Seguindo a fórmula do álbum “Art of Killing” (2013), a banda vem desde então lançando álbuns com temáticas direcionadas e atualmente divulga “Gods of Chaos” (2017). O quarto full do grupo são-joseense, traz um estudo das velhas mitologias, onde o homem criava deuses para explicar o desconhecido, além da sonoridade típica da banda, que atinge os extremos entre a linha tênue do Thrash e do Death Metal. Para falar sobre o atual momento da banda, conversamos com o baixista e vocalista Jairo Vaz, que atualmente tem ao seu lado a dupla de guitarristas Luiz Ferrari e Diego Sanctus, além do co-fundador, o baterista Friggi MadBeats

Lá se vai mais de um ano desde o lançamento de “Gods of Chaos” (2017), quarto álbum completo do Chaos Synopsis. Como vocês veem o disco atualmente, qual o principal diferencial do trabalho em relação aos anteriores e quais os principais destaques do disco?
Jairo Vaz: É interessante como com o passar do tempo, o sentimento com o disco muda. Após a gravação, sempre ocorre de eu ouvir o disco sem parar, sempre pensando se está tudo certo ou não. Hoje já ouço “Gods of Chaos” como um ouvinte comum, sem críticas e penso que criamos um puta álbum. Acho que o principal destaque desse disco foi trabalharmos mais melodias em contraponto a brutalidade e velocidade a qual já estamos acostumados. Minhas músicas preferidas são Serpent in Flames e Sixteen Scourges.

O disco traz uma temática conceitual sobre deuses do caos, guerras e destruição. Aliás, desde “Art of Killing” (2013) vocês vêm trabalhando em discos conceituais. Na verdade trabalhos que falam sobre personagens em comum, não exatamente uma história conectada. Como começaram a compor em cima disso e de onde vem as inspirações?
Jairo: A ideia surgiu em “Art of Killing” e o resultado com ouvintes e imprensa foi sensacional, todos gostaram muito da ideia do disco ter um conceito único, embora cada música fale de um personagem distinto e sem ligação um com o outro. Após essa resposta por parte de todos, decidi que a partir dali todos os nossos álbuns seguiriam essa fórmula. Então, assim que terminamos um álbum, eu já começo a pesquisar temas e já escolho o tema do próximo.

O Thrash/Death Metal do grupo está conciso no disco, sendo que a pegada do primeiro estilo voltou mais à tona, principalmente no trabalho das guitarras. Aliás, há uma variação rítmica interessante em “Gods of Chaos”. Gostaria que falasse um pouco mais sobre isso.
Jairo: As coisas fluem um pouco naturais, acho que a composição vem diretamente das coisas que estamos ouvindo à época da criação. Lembro que ano passado eu estava ouvindo bastante Death Metal, além disso, o Diego é um cara que ouve muita banda e muita coisa diferente, o que ajudou a trazer bastante coisa nova, além de um pouco mais de variação à nossa criação.

Duas faixas foram escolhidas para ganhar videoclipe. São elas Storm of Chaos e Serpent In Flames. Por que optaram por estas composições e como foi trabalhar nos vídeos?
Jairo: Escolhemos Storm of Chaos justamente por ser uma música totalmente com a cara do Chaos Synopsis, velocidade, melodias e brutalidade. Já Serpent in Flames é o oposto, sendo uma música mais lenta e pesada e que acho ser uma das músicas mais fortes do álbum.

Aliás, qual a importância a banda vê atualmente em trabalhar com clipes, já que a exposição dos mesmos hoje é facilitada pelas redes sociais?
Jairo: Acho importantíssimo trabalhar clipes, eles dão vida nova a música. Me inspiro muito em bandas que fazem muitos clipes, a exemplo do Behemoth ou do Metallica, que lançou um vídeo para cada música do último álbum.

“Gods of Chaos” foi o disco onde o guitarrista Diego Sanctus estreou em estúdio. Até que ponto ele contribuiu nas composições, o que ele trouxe para a sonoridade da banda e como é trabalhar com ele?
Jairo: O Diego é um cara que conhece muito de Metal, já tocou em algumas bandas antes, toca muito e tem um fator de criação muito rápido e que somou muito ao nosso jeito de criar. Muitas das composições nós já tínhamos as ideias principais e jogávamos na mão dele pra complementar, com melodias ou alterações nos riffs. Tenho certeza que a formação atual da banda está muito forte com a entrada dele e o clima da banda na estrada está sensacional, somos grandes amigos. Acredito que isso deu uma força extra à banda.



O disco foi lançado na Europa e México, além do Brasil, claro. Como se deu a oportunidade de lançar o trabalho no exterior?
Jairo: Com a Concreto Records nós já havíamos lançado “Seasons of Red” (2015), que teve uma boa repercussão por lá, então foi algo natural de acontecer. Algo parecido aconteceu com a polonesa Defense Records, a banda principal deles é o Terrordome, e em 2016 nosso split “Intoxicunts” com eles já havia saído pelo selo, além disso, na tour europeia de 2017 o Piotr, dono do selo, estava junto em nossa tour com o Terrordome e o Dira Mortis, ali, regado a muitas cervejas e vodcas, fechamos contrato pro lançamento de “Gods of Chaos”.

E em quais lugares ele obteve a melhor repercussão?
Jairo: Ainda não sei dizer como estão os números por lá, porque os álbuns foram lançados faz pouco tempo no México e na Europa, mas com certeza depois do Brasil, nosso melhor mercado sempre foi a Polônia. Temos muitos fãs por lá e sempre vendemos bastante material em nossos shows no país.

Turnês pela Europa, shows pelo Brasil, incluindo festivais e diversos outros lugares, quatro álbuns de estúdio e nove trabalhos lançados no total. Hoje você diria que o Chaos Synopsis tem um nome a zelar?
Jairo: Pessoalmente, desde que a banda não tinha nada, já tratávamos o nome como algo grande. Hoje, com toda nossa história, todos os rolês, amigos e fãs que conseguimos, com certeza o nome pesa em qualquer decisão, criação ou qualquer coisa relacionada a banda. São 13 anos de muito trabalho e que não devem cessar tão cedo.

Por fim, o que a banda pode adiantar sobre um futuro lançamento? Qual o formato, virá na linha Chaos Synopsis, pretendem lançar mais um disco com temáticas direcionada... enfim?
Jairo: Estamos pra lançar um EP bastante especial chamado “Unforgotten Shadows” para comemorar os 12 anos de lançamento de nossa demo “Garden of Forgotten Shadows”. Acho importante esse lançamento, pois traremos um pouco da história do começo da banda, músicas que muitos fãs novos não conhecem, além da alegria de poder ouvir aquelas músicas com uma produção mais parruda. Quanto a mais um álbum com temática direcionada, já escolhi o tema e já estamos trabalhando nas ideias, mas isso é algo para um papo futuro.

Muito obrigado por falar conosco mais uma vez. Este espaço é de vocês.
Jairo: Eu que agradeço pelo espaço sempre aberto e pela amizade de anos já. Como sempre, agradeço aos fãs e amigos que temos na estrada, nossa diversão é estar com todos, antes, durante e depois do show. Estamos nessa por toda a diversão que o Rock 'N Roll nos proporciona.

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