segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Shadowside: Nossa carreira é mais desenvolvida no exterior, mas quem nos deu a base pra isso foi o público e a mídia do Brasil




Por Vitor Franceschini

O Shadowside é um dos principais nomes brasileiros no Power Metal no exterior. Claro que a banda tem sua base de fãs por aqui, porém por tudo que já fizeram, a banda merece muito mais. Atualmente com Dani Nolden (vocal), Raphael Mattos (guitarra), Fabio Buitvidas (bateria) e Magnus Rosén (baixo, ex-Hammerfall), a banda divulga o disco “Shades of Humanity” (2017), quarto da carreira e o mais abrangente do quarteto. A vocalista Dani Nolden, que segura as rédeas desse grande monstro, fala ao ARTE METAL e conta um pouco mais sobre o trabalho, a entrada de Magnus e a formação da banda, além do status do grupo.

Primeiramente eu gostaria de falar do mais recente lançamento da banda, “Shades of Humanity” (2017). O disco traz as características do Shadowside, mas parece ser o maior passo evolutivo de vocês, pois soa muito mais moderno que os anteriores e traz também linhas mais Progressivas. O que você pode falar a respeito disso?
Dani: Sem dúvida, é o nosso passo mais ousado até hoje! Acredito que o “Shades of Humanity” tenha quebrado todas as barreiras que ainda tínhamos. Deixamos de lado qualquer restrição, qualquer autocensura, permitimos que todo o processo criativo fosse livre. Isso fez com que nossas características marcantes aparecessem naturalmente, pois não teríamos como compor sem usar elementos que já são parte da nossa formação musical, mas também pudemos utilizar ideias que sentimos que combinariam bem com o que fazemos. O resultado disso é o “Shades of Humanity”, que foi composto de uma forma bem espontânea, como o álbum anterior, o “Inner Monster Out” (2011), mas com uma dose extra de confiança, que adquirimos com a experiência ao longo dos anos e das turnês.

Quando eu falo moderno, não é algo tendencioso. Digo porque a banda mostra nos trabalhos anteriores um Power Metal mais ‘comum’ assim diríamos. Costumo dizer que a banda foi-se aprimorando e hoje soa mais Metal de forma abrangente do que qualquer outra coisa. Concorda com isso?
Dani: Sim, completamente! Apesar de muitas pessoas ainda nos enxergarem como uma banda de Power Metal, parece que a opinião de todos é que mesmo que nos enquadrem nesse rótulo, não somos uma banda “convencional” de Power Metal, já que usamos alguns grooves diferentes, entre outras coisas. Várias outras pessoas não concordam mais com o rótulo de Power Metal de forma alguma, então concordo que hoje fazemos um Metal mais abrangente, com a mistura do tradicional com o moderno, com elementos típicos do Metal aliados com de outros estilos que frequentemente escutamos e acabam nos influenciando de uma forma ou de outra.

“Shades of Humanity” deu uma abrandada na velocidade, mantendo um ritmo semi-cadenciado no aspecto geral, porém soa muito mais pesado. Isso foi algo natural ou vocês buscaram essa variação e peso no andamento?
Dani: Foi natural, nós percebemos isso quando já estávamos nos toques finais, no momento em que começamos a enviar as músicas aos produtores do álbum, os suecos Fredrik Nordström e Henrik Udd. Nós realmente queríamos algo mais pesado, mas os grooves e algumas músicas mais cadenciadas foram só uma consequência natural do que gostamos de fazer.

Acredito que você (Dani) soa menos agressiva, com mais melodia, porém destaca mais seu vocal ‘grave’ e mantém um equilíbrio impressionante. Concorda?
Dani: Sim, a mudança na sonoridade da voz foi algo intencional, que eu buscava já há algum tempo. Gosto de explorar toda a extensão da voz e sentia que estava explorando demais os agudos e deixando um pouco de lado os graves e médios, que são as regiões onde eu mais gosto de cantar, na verdade. A outra mudança, que na minha opinião trouxe o maior resultado, foi usar a voz mais “crua” na gravação. Nos três álbuns anteriores, os produtores me pediram para fazer dobras na voz principal, então eu gravava o mesmo “take” três vezes exatamente iguais. Na mixagem, essas três vozes “iguais” eram o que vocês ouviam como a voz principal. Teoricamente, isso dá um pouco mais de “corpo”, de peso, mas eu sentia que o efeito na minha voz era exatamente o contrário... essa técnica estava tirando todo o meu “feeling”, tirava um pouco das cores da minha voz e deixava tudo um pouco mecânico. Dessa vez, eu fiz questão de gravar apenas um único “take”. Queria que a voz que estivesse no disco fosse exatamente a que eu escuto quando estou praticando. E por fim, reservei a agressividade e os drives para momentos especiais, justamente para serem a surpresa, o tempero, e não algo que perde a graça porque é feito o tempo todo. Busquei bastante esse equilíbrio, mas essa evolução é uma coisa contínua... sempre é possível descobrir mais coisas pra melhorar, então tenho certeza que no próximo álbum, já vou estar querendo coisas novas de novo! (risos)


É difícil falar apenas de uma faixa, mas Alive, a primeira faixa que virou clipe, é a que mais destoa do disco e traz uma dose extra de modernidade, se destacando de alguma forma. Gostaria que falasse um pouco mais dessa composição e como ela virou clipe?
Dani: Quando finalizamos a gravação, todos nós sentimos que Alive seria uma das faixas principais do álbum, mas nós não queríamos decidir qual seria a primeira música de trabalho e videoclipe, porque durante o processo de composição e gravação nos envolvemos muito com as músicas, nos apegamos a elas e é difícil mantermos uma visão objetiva de qual música realmente é a melhor. Então deixamos que o diretor do clipe, Daniel Stilling, escolhesse a música. Ele escolheu Alive, tanto pela história de superação da letra quanto pelo apelo da música, e o videoclipe acabou virando um curta-metragem incrível feito pelo Daniel. Essa música é muito especial pra mim, eu escrevi a letra dela enquanto enfrentava um quadro de depressão e gosto muito de tudo que fizemos nela.

Como você vê “Shades of Humanity” hoje, quase um ano após seu lançamento?
Dani: Eu ainda sinto que é o nosso melhor álbum até hoje, ainda o escuto bastante orgulhosa e feliz com a sonoridade que conseguimos alcançar. Eu sei que todas as bandas sempre dizem isso (risos), mas é o que eu sinto de verdade. É um álbum que eu gostaria de escutar mesmo se não fosse da minha própria banda.

E como chegaram até o baixista Magnus Rosén (ex-Hammerfall) e como é trabalhar com ele, tanto na gravação do disco, participação dele nas composições, quanto durante as turnês e a conciliação de ensaio, enfim...?
Dani: Inicialmente, convidamos o Magnus apenas para gravar o álbum, já que estávamos sem um baixista na época e não queríamos apressar a busca e escolha de um novo membro para a banda. Porém, enquanto conversávamos com ele sobre os planos, sentimos que a química com ele na banda era tão boa que decidimos convidá-lo pra ser um membro permanente, e ele aceitou! Não ensaiamos pra gravar, trabalhamos nas músicas pela internet. Tínhamos planos de ensaiar antes da primeira turnê, mas como nosso primeiro show com essa formação foi iniciando a turnê dos Estados Unidos, acabamos não ensaiando nem mesmo para o primeiro show! O plano era ensaiarmos em Nova Iorque no dia da chegada nos Estados Unidos para tocarmos o primeiro show em Buffalo no dia seguinte, mas eu estava me recuperando de uma infecção na garganta e não pude ensaiar, e o estúdio estava em condições precárias e eles não conseguiram nem fazer um ensaio instrumental. O Magnus estava um pouco preocupado, mas eu tinha certeza que ele tocaria as músicas com maestria, e foi exatamente isso que aconteceu! Quando falei no palco que aquele era nosso primeiro show juntos e que nunca havíamos ensaiado, o público enlouqueceu (risos). Realmente parecia que já tocávamos juntos há anos, nos sentimos totalmente confortáveis uns com os outros no palco. É claro que evoluíamos a cada show, mas logo no primeiro percebemos que o talento e a segurança dele como baixista fez uma diferença enorme, e elevou muito o nível do show!



Provavelmente o Shadowside tem muitos fãs em comum com o Hammerfall, afinal o estilo de vocês não é tão diferente (também nada igual – risos). Neste caso, o quanto ele agregou à banda?
Dani: É verdade, você falou bem... muito em comum, mas nada igual! (risos) Temos elementos em comum, mas são bandas com características diferentes, então muita gente que não conhecia Shadowside acabou nos procurando por causa do Magnus e gostou, enquanto outros que já eram fãs das duas bandas acharam essa união sensacional porque sentiam que o Magnus é a cara do Shadowside. Realmente ele tem mesmo espírito que a gente, ele quer melhorar sempre, tem uma personalidade fácil e calma, então ele caiu como uma luva no grupo.

Aliás, Raphael Mattos e Fabio Buitvidas estão na banda há mais de dez anos. Gostaria que falasse sobre essa longevidade também. Qual a fórmula disso e como é trabalhar com estes dois excelentes músicos?
Dani: A fórmula dessa longevidade é tolerância. Um trabalho em um grupo nunca é fácil. Temos personalidades e gostos diferentes – MUITO diferentes. Sem essa tolerância uns com os outros, já teríamos encerrado a banda há muito tempo. Resolvemos nossos problemas na conversa, buscamos soluções que resolvam a situação para todos, então sempre que aparece algum desentendimento pessoal, solucionamos da mesma forma que solucionamos problemas com irmãos, com familiares... colocamos na mesa tudo aquilo que pensamos e damos um jeito! Isso foi fortalecendo a união entre nós ao longo dos anos. Fora isso, sentimos que diferenças musicais são boas para a banda, porque nos força a encontrar uma identidade musical que agrade a todos nós e acaba fazendo com que nossa música tenha algo de único, que não encontramos nas nossas bandas favoritas.

Vários lançamentos e turnê pelo mundo inteiro, você eleita várias vezes como uma das melhores vocalistas de Metal do país, sucesso no Japão e até turnê norte-americana que atualmente é bem difícil para nomes do Metal brasileiro, prêmios, enfim... Porém, parece que aqui o Shadowside merece mais atenção. Concorda com isso, como explicar isso?
Dani: Eu vejo que a música em inglês, no Brasil, não tem muito espaço, especialmente quando é feita por artistas brasileiros, então não sinto que somos injustiçados aqui... acho que a música em inglês feita por brasileiros é injustiçada de um modo geral. Sinto que os fãs de Metal do Brasil e a mídia especializada brasileira nos reconhece bastante, e sinceramente não tenho do que reclamar. Nossa carreira é mais desenvolvida no exterior, mas quem nos deu a base pra isso foi o público e a mídia do Brasil. É claro que eu adoraria ir ainda mais longe aqui no Brasil, mas para isso seria necessário fazer turnês mais extensas aqui, o que é algo praticamente impossível por causa da falta de estrutura do nosso país, especialmente com relação às estradas. De qualquer forma, o que temos de atenção no Brasil foi o que nos possibilitou esses voos mais altos no exterior, e todos nós somos muito gratos por tudo que os nossos fãs daqui nos deram. Os poucos shows que conseguimos fazer aqui dificilmente nos rendem muita coisa financeiramente, mas nós fazemos mesmo assim para agradecer a essas pessoas que sempre nos apoiaram.

Aliás, quais as principais experiências a banda tem adquirido durante essas turnês no exterior e quais particularidade em especial apresentam os EUA, Europa e Japão?
Dani: Nós ainda não tocamos na Ásia, mas a diferença do Metal nos EUA e na Europa é enorme! Os shows nos Estados Unidos normalmente são menores, não apenas pra nós, mas para a grande maioria das bandas de Metal. Nos EUA, o público é pequeno comparado ao europeu, mas é um público que acompanha uma banda fielmente! Alguns fãs seguem a banda em vários shows da turnê, outros foram a shows que fizemos há 10 anos atrás, outros diziam como esperavam pra ver nosso show ao vivo há mais de 15 anos. O público europeu é intenso, grita, canta e comparece em peso, mas sinto que eles amam o Metal em geral. É claro que eles também têm suas bandas favoritas, mas percebo que o americano tem aquela coisa de “banda do coração”. Eles são mais reservados que o público do leste europeu, por exemplo, mas interagem fortemente na carreira das bandas que eles curtem. É muito legal observar essas diferenças culturais sempre que temos a oportunidade de tocar fora do país!

Recentemente você foi uma das convidadas especiais para a gravação do DVD do “Souls Spell Metal Opera” da Soulspell, um audacioso projeto que comemorou 10 anos de existência e teve presença de 26 dos mais conceituados cantores de Rock/Metal do Brasil. Como surgiu essa oportunidade e como foi participar do projeto?
Dani: Eu conheço o Heleno já há bastante tempo, e no último lançamento do Soulspell, ele me convidou para participar da gravação de duas músicas, Game of Hours e Horus’s Eye, interpretando o personagem “The Shadows”. As músicas são muito legais e eu aceitei na hora! Então, quando ele comentou sobre a possibilidade do DVD e me perguntou se eu aceitaria participar, também não pensei duas vezes. Foi um momento histórico para o Metal no Brasil. Não tenho palavras para descrever o tamanho da honra de participar de algo tão ousado, com cantores e músicos de tanta competência. Não é fácil subir no palco com essa galera, a responsabilidade é enorme, mas foi incrível! E no dia 30 de setembro, vou cantar com eles novamente, dessa vez em Porto Alegre, no Teatro AMRIGS.

Por fim, é certeza que vocês já estão trabalhando em algo, afinal, lá se vai mais de um ano do último lançamento inédito. O que pode nos adiantar a respeito disso?
Dani: No momento, nós estamos concentrados em shows, pois apesar de já ter se passado um ano desde o lançamento, ainda temos os planos para os shows no Brasil e possivelmente um retorno à Europa. Depois disso, vamos começar a trabalhar em material inédito. Não nos preocupamos muito com o tempo entre um álbum e outro pois o que importa pra nós é lançarmos coisas que gostamos, e não apenas lançar porque precisamos lançar. Então, o momento agora é de executar o “Shades of Humanity” ao vivo em todos os lugares que pudermos!

Muito obrigado pela entrevista, gostaria que deixasse uma mensagem aos leitores.
Dani: Vamos anunciar algumas datas de shows no Brasil em breve, então fiquem ligados no nosso site e nas nossas redes sociais! Assistam ao videoclipe da Alive em https://www.youtube.com/watch?v=EF9Tv5USAYg. Muito obrigada ao ARTE METAL pelo espaço e aos fãs por todas as mensagens de apoio, nos veremos logo!

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