Não é fácil fugir da
mesmice sem seguir tendências ou até mesmo passar imune aos conservadores de
plantão. O Command6, que compõe o front do novo Metal nacional, conseguiu em
seu novo álbum, intitulado “Black Flag”, fazer um som atual sem que se deixasse
levar pela moda e mantendo influências das raízes do estilo. Fazendo um Thrash
Metal nada retrospectivo e se utilizando de letras inteligentes, a banda
caminha firme para a consagração e o reconhecimento merecido. Falamos com Bruno
Luiz (guitarra), Buga (bateria) e Wash (vocal) – completam a banda Attílio
Negri (guitarra) e Johnny Hass (baixo) -
sobre estes temas e outros assuntos em uma entrevista esclarecedora e
direta
Talvez
vocês já tenham respondido isso trilhões de vezes. Mas eu não li em nenhum
lugar e outros leitores também devem ter essa curiosidade. O que significa a
letra 6 no nome da banda e como o pronuncia?
Bruno
Luiz: O 6 é um número que aparece em diversas crenças e
religiões ao redor do mundo e nós sempre encontramos diversas interpretações
sobre o seu significado. Ao juntar a palavra commando e o número 6, temos
Command6 e se pronuncia “Command Six”.
Conte-nos
como foi o processo de composição de “Black Flag”?
BL:
Tivemos mais tempo para amadurecermos as ideias e isso foi fundamental. As
músicas foram tomando forma e ao mesmo tempo a banda passava por uma mudança de
formação, algo que trouxe muita energia positiva a todos.
Quais
as principais diferenças que você vê entre o novo álbum e “Evolution?”?
BL:
A essência nas composições é a mesma, mas eu acredito que a banda conseguiu
colocar bem mais personalidade no segundo álbum. Na época do “Evolution?” nós
não tínhamos muita ideia de direcionamento musical e isso trouxe muita
influência de bandas que somente seguiam as tendências da época.
Não
só em “Black Flag”, mas o contexto geral da música do Command6, vocês aliam
Thrash Metal com toques de Metal moderno e até algo de música alternativa, o
que é percebido nas composições mais ‘calma’. Fale-nos um pouco sobre isso e as
influências da banda.
BL: Nós gostamos demais
dessa variação de ritmo em nossos álbuns porque isto os torna mais agradáveis e
interessantes ao se ouvir. Não tem sentido compor e gravar 11 músicas iguais e
infelizmente, é uma coisa muito comum de se encontrar hoje em dia nos álbuns de
Metal.
Falando
da sonoridade de “Black Flag”, o disco possui riffs pesadíssimos, mas mesmo
assim o som da banda soa, de certa forma, acessível e com boas doses de
melodias que se encaixaram muito bem à música do Command6. Vocês já consideram
isso uma característica da banda? Fale-nos um pouco mais sobre isso.
Bugas:
Com certeza. Com o “Evolution?” descobrimos que realmente era possível misturar
riffs pesados com uma melodia marcante, afim de que nossos discos ou ao menos
algumas músicas fossem acessíveis a grande parte das pessoas, um som sem
fronteiras. Sabendo disso as composições do “Black Flag” foram criadas com o
mesmo pensamento.
Não
só as guitarras, mas também as linhas de baixo estão muito bem nítidas e
trabalhadas no álbum. Como a banda vê a importância da chamada ‘cozinha’ dentro
do Metal?
B:
Sem essa “base” acredito que não adiantaria o esforço feito das guitarras e
vocal, a música no final seria fraca, sem peso. Essa é a importância dessa cozinha,
baixo e bateria, quando explorados da forma correta fazem a diferença, sem
todas aquelas firulas, afinal estamos fazendo música e não criando um método!
Os
vocais de Wash também estão bem versáteis e alia de forma primorosa
agressividade com sutileza, o que resulta em ótimos refrãos nas composições.
Fale-nos sobre isso.
BL:
Todas as letras foram escritas por ele e este é o fator fundamental para sua
performance nas gravações e nos shows.
B:
Ele é um cara extremamente flexível, um tipo de “camaleão”, consegue adaptar
seu comportamento e sua voz conforme a necessidade da música. Como ele
transcreveu nossas ideias nas letras, ele soube exatamente como passar isso de
forma bem intensa nas gravações, chegando nesse ótimo resultado!
As
letras de “Black Flag” falam de vários temas diferentes em cada música, mas que
acabam se interligando uns aos outros. Fale-nos um pouco dos temas abordados,
seria um álbum conceitual?
Wash:
Não, pelo amor de Deus, não...(risos) Muitos tem nos perguntado isso a respeito
das letras. Mas as letras do “Black Flag” não foram pensadas de uma forma
conceitual, tanto que algumas delas, como a Brainwash,
por exemplo, já tinham sido escritas anos antes. O lance é que nós já vínhamos
conversando sobre esses assuntos em nossos papos de buteco e na hora de
encaixar as letras nas músicas ficou mais do que claro que seria esse o
direcionamento lírico do álbum. E tem o seguinte também, depois do “Operation
Mindcrime” (N.E.: discoconcetual da banda americana Queensrÿche, lançado em
1988) deveria ser proibido alguém fazer um álbum conceitual...(risos)
Há
um cover para Maior Abandonado (Barão
Vermelho) como bônus, onde vocês gravaram junto com a banda Kiara Rocks. Por
que vocês escolheram esse cover e por que decidiram dividir a versão com a
banda?
BL:
Nós sempre curtimos bandas nacionais como Barão Vermelho, Titãs e Raimundos e
uma versão mais pesada de “Maior Abandonado” parecia ser uma ideia
interessante. Nós já havíamos feito alguns shows com o Kiara Rocks e nos
tornamos amigos desde então. Essa iniciativa surgiu para mostrar que existe
união entre as bandas.
Vocês
trabalharam com o produtor Adair Daufembach (Project46, Trayce) que produziu o
álbum ao lado de Bruno Luiz. Adair tem se tornado um dos principais produtores
do Metal moderno nacional. Fale-nos como surgiu essa parceria e como foi
trabalhar com Adair?
B:
Sensacional, ele é um cara com ótimas ideias e acrescentou bastante à banda. Eu
conhecia ele de alguns projetos do Aquiles Priester, mas até então como fã, não
imaginava que iríamos gravar um disco um dia.
BL:
Trabalhar com o Adair foi sensacional! Antes de iniciarmos as gravações,
conversamos muito sobre como gostaríamos que o Command6 soasse neste novo álbum
e todos da banda puderam acrescentar novas ideias.
A
capa do álbum é belíssima e o retrata por completo. Fale-nos sobre o processo
de escolha e produção dela.
B:
A ideia era retratar a podridão existente em nosso mundo hoje. A bandeira do
Brasil, em preto e branco, com furos de tiro foi escolhida, pois expressa
bastante esse conceito da sujeira, corrupção, violência, abuso, que rolam todos
os dias em nosso país e no mundo. A arte foi feita por Marcelo Campos, um
grande amigo nosso que já trabalhou inclusive no primeiro disco.
Como
está a repercussão de “Black Flag” tanto na crítica quanto pelo público?
B:
Está
rolando muito bem, críticas positivas e com bastante acesso em nossas redes
sociais.
BL:
Estamos muito felizes com o resultado, mas ainda temos muita coisa pra fazer. A
divulgação do “Black Flag” está só começando!
Imagino
que o show de vocês deve ser muito enérgico. Como tem sido a repercussão das
novas músicas nas apresentações e como está a agenda de vocês?
BL:
As novas músicas soam muito bem ao vivo e tem sido fantástico poder mostrar
isso para a galera. Nós ainda estamos nos acostumando com o nosso repertório e
temos planos de tocar o “Black Flag” inteiro nos shows.
B:
Temos alguns shows marcados pelo interior de São Paulo, mas queremos mais, quem
tiver interesse pode entrar em contato pelo e-mail producao@command6.com.
O álbum tem sido bem
aceito no exterior? Há alguma chance de vocês tocarem fora do Brasil?
B:
Pelo pouco que foi divulgado lá fora posso dizer que sim, mas para agendarmos uma
tour no exterior ainda vai levar um tempo para nos organizarmos já que fazemos
tudo por conta própria.
Muito
obrigado, deixem uma mensagem.
B:
Não deixem de acompanhar as novidades em nossas redes sociais e em breve nos
veremos nos shows! Obrigado galera.
BL:
MUITO OBRIGADO! Todas as pessoas que estão apoiando o nosso trabalho. OBRIGADO
POR ACREDITAR NO COMMAND6!



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