Não há o que discutir,
é inimaginável para os headbangers uma cena Metal em um país como o Irã, e ela
realmente não existe. Afinal, o país é fundamentalmente islâmico (leva a
religião no próprio nome) e vive em um regime de ditadura. Quem assistiu o
documentário "Global Metal" (2007, de Scot McFadyen e Sam Dunn) pôde
ver um pouco da situação difícil que um fã de Rock/Metal enfrenta naquele país.
Tudo piora quando uma banda, oriunda de lá, resolve fazer Black Metal e falar
sobre religião (tudo contra) e ódio ao ser humano. O Nathorg consegue fazer
isso e com maestria, afinal não chama atenção apenas por essas peculiaridades,
mas sim pela qualidade de sua música. Em uma entrevista curiosa, apesar das
poucas palavras (talvez até pelo pouco inglês), Gaztus (vocal) e Holatoth
(guitarra) falaram sobre esses assuntos, além da divulgação de seu primeiro álbum
“Beyond The Gates Of Nathorg” e até da vontade de morar no Brasil. Completam o
time Gorkh (guitarra), Ordal (baixo) e Xarkhim (bateria).
O
Nathorg não tem qualquer trabalho que precedeu "Beyond The Gates Of
Nathorg". Por que escolheu para lançar diretamente um álbum e qual é a
fonte oficial de bandas de você?
Gaztus:
Nós
gostamos de apresentar álbum completo para ser totalmente perfeito.
Como
foi o processo de composição de "Beyond The Gates Of Nathorg"?
Holatoth:
Composições vêm de sentimentos internos.
Acho
que o som de vocês tem grande influência do Black Metal nórdico e do Death
Metal tradicional, lógico que com algumas características próprias. Você
concorda com isso?
Holatoth:
Sim eu concordo com você, mas não estamos nos limitamos a quaisquer gêneros
como Black e Death Metal e queremos apresentar estilos extremos.
Os
timbres dos instrumentos ficaram muito bons, diga-nos como foi o processo de
produção.
Gaztus:
O registro do álbum feito em estúdio underground em casa.
Holatoth:
Mas procuramos soar o mais perto do Black Metal puro.
"Beyond
The Gates Of Nathorg" tem apenas seis composições de médio a longo tempo e
variadas. No entanto, as composições não soam cansativas. Qual é a fórmula para
isso?
Holatoth:
Nós tentamos soar com velocidade e riffs diferentes, além de atmosfera nas
canções para não parecer tão longas.
'Nathorg'
é a terra onde o principal objetivo é lutar contra o mundo imundo de seres
humanos. Os temas das letras buscam discutir esta questão? Explique-nos o que
vocês querem passar com as letras.
Holatoth:
Nós
não somos uma banda positivamente orientada, os seres humanos transformam esse mundo
em um lugar imundo, este mundo será destruído pelas próprias mãos humanas e o
que resta de bom acabará em breve.
Como
tem sido a repercussão do álbum até agora, tanto pela crítica quanto pelo
público?
Holatoth:
O álbum não foi lançado completamente para o público ainda, mas não está mal
segundo a crítica.
Aqui
no Brasil, poucos conhecem o Nathorg. Conte-nos como é o show de vocês?
Gaztus:
Agora estamos com alguns problemas no Irã, mas nós temos um plano para isso.
Na
verdade, é raro uma banda de Metal no Irã, principalmente de Black Metal. Como
é tocar um som tão extremo, com letras anti-religião e cheias de misantropia em
um país tão religioso?
Gaztus:
Este é o sentimento para nos ajudar a enfrentar as dificuldades que temos no
Irã.
No
documentário "Global Metal" (2007, de Scot McFadyen e Sam Dunn)
nota-se que não é fácil ser um headbanger no seu país, o que vocês podem sobre
isso?
Holatoth:
Completamente verdade, por exemplo, se alguém aparece de cabelos longos em
público pode ser preso pela polícia
Vocês
conhecem algo sobre a cena do Metal no Brasil? Há vontade e oportunidade de tocar
aqui algum dia?
Gaztus:
Sim nós gostamos de bandas brasileiras, elas são realmente grandes. Certamente
nós gostaríamos, e tocaremos, um dia no Brasil.
Obrigado
pela entrevista, deixe uma mensagem para os fãs brasileiros.
Gaztus/Holatoth:
Obrigado
ao povo brasileiro que nos apoiam e obrigado pela entrevista. Nós gostaríamos
de tocar no Brasil e talvez imigrar para o Brasil para viver.


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