quinta-feira, 7 de junho de 2018

Portas que se abrem se fecham e vice-versa




Por Vitor Franceschini

Raramente inicio um texto pelo título, sempre escolho depois, mas neste, o título veio em mente na hora que a inspiração surgiu e infelizmente não foi em um bom momento profissional. Logo que tive uma porta fechada na cara é que me veio a ideia, então resolvi falar sobre o assunto (não o fato em si) e também ‘choramingar’, afinal também sou filho de Deus (‘troos’, essa é só uma expressão).

Quem me conhece sabe que trabalho como jornalista ‘de verdade’. Sou editor de cultura na rádio Uniara FM e repórter na TV Uniara, que faz matérias institucionais. Ou seja, trabalho com jornalismo e me divirto com jornalismo, pois quando estou em casa, o que faço? Jornalismo é um dos hobbies.

Bom, no meu trabalho ‘normal’ não vivencio muitas coisas diferentes do que dentro do meu ‘trabalho’ na cena Metal, principalmente na rádio. Afinal de contas, meu dia a dia é trabalhando com matérias e entrevistas com e sobre artistas, porém de diversas linguagens e vertentes, estilos e gêneros. O contato é mais direto, por telefone ou pessoalmente, diretamente ou com a assessoria.

Muitos destes artistas são promissores, a grande maioria independente, afinal nossa linha editorial não é focada na música de massa (isso mesmo, sertanejo universitário, funk, pagode graduado – risos – não têm vez, afinal, as rádios populares já dão espaço a estes). Então, é comum sermos muitas vezes o primeiro veículo a entrevistar um artista, que um dia poderá se tornar um ícone famoso no cenário nacional e até mundial.

No início, é muito comum o artista se oferecer a você como fonte para divulgar o trabalho e, sendo pauta, pra gente é sempre bem vindo. Por intermédio de amigos ou por si mesmos nos procuram e sugerem divulgar seus trabalhos, o que é sempre bem vindo, repito.

O que é chato mesmo é quando este artista decola e se torna intocável, principalmente para mídias pequenas como a nossa, que pra ajudar se situa no interior do estado de São Paulo. Isso aconteceu (e vai acontecer mais vezes). Um artista local que teve sua primeira entrevista em rádio comigo, teve uma ascensão meteórica e hoje seleciona com quem fala, sendo que a gente levou portada na cara duas vezes do mesmo, uma de leve, mas bem camuflada (botaram um músico de sua banda pra falar). Não se sabe se por sua conta ou de seus assessores. Aliás, cuidado com assessorias que blindam, essa mensagem serve para os jornalistas, mas principalmente para os artistas.

Não amigo, não darei nome aos bois porque o último intuito aqui é denegrir um artista, mas sim alertar sobre esse tipo de comportamento, pois há muito na cena Rock / Metal. Pior ainda, acontece vindo de quem nem é consagrado. Só eu sei o quanto o Arte Metal levou portada na cara em seu início, de artistas, assessorias, empresários e afinas, sendo que muito deles hoje nos solicitam matérias com suas bandas (e nunca levaram um não, mas sim um pensamento que sussurra ‘eu sabia’...). Portanto, bandas, artistas, assessorias e empresários, pensem bem antes de bater a porta na cara de alguém, pois a porta fecha dos dois lados.

*Vitor Franceschini é editor do ARTE Metal, jornalista graduado, palmeirense e headbanger que ama música em geral, principalmente a boa. Admira Jesus Cristo, mas tem pavor dos seus fãs.

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Shinigami Records