quarta-feira, 3 de julho de 2019

Minha relação conturbada com o “Black Album” do Metallica




Por Vitor Franceschini

Quem me conhece aí pelo cenário da música underground sabe que não tenho uma relação muito afetiva com o álbum “Metallica” (1991) da banda homônima, também conhecido como “Black Album”. Isso ficou exposto após eu declarar isso no meu antigo webprograma Arte Extrema, onde frequentemente, eu e o meu ‘parça, Chris Koda, que apresentava o programa comigo, malhávamos o disco.

Isso começou do nada. Certa vez, assistindo o Metallica ao vivo no Rock In Rio de 2013, eu e o Koda conversávamos pela rede social comentando o show. Até que veio a hora de Sad But True, um dos hits de “Metallica”. Nisso eu comentei: “Nossa agora vem essa música chatíssima”. Eis que o Koda me questiona se eu também não curtia o disco e foi batata, começamos a malhar o mesmo. Depois, surgiu a ideia de pegar pesado com o álbum e continuamos essa rotina várias vezes no programa.

O que é fato. Primeiramente “Metallica” não é um disco ruim, é um disco do qual não gosto. Aprendi muito a diferenciar isso. E se alcançou tal status, provavelmente a exceção é meu gosto (ou seria mal gosto? risos). Mas eu explico. Eu amo as duas baladas do disco: The Unforgiven e Nothing Else Matters, sim, sou ‘baladeiro’. Também gosto de Enter Sandman, mas já estou de saco cheio.



Porém, no caso de Sad But True o ódio é real. Uma música chata, com um riff chato, e uma levada extremamente enjoativa. Sem contar que, em “Metallica”, James Hetfield ‘aprendeu a cantar’ e passou a usar um “yeahh” todo melodioso que me irrita de imediato. O curioso é o quanto essa música me persegue, pois consigo assimila-la até em fones de ouvidos de quem está perto de mim, e, incrivelmente andando em um ônibus coletivo em Montevideo, Uruguai, o motorista (lá eles trabalham bem à vontade) estava ouvindo o disco e nesta música! Que sina.

O disco também me parece planejado demais, e acredito que compor de forma planejada pode ser um tiro no pé, perde o ‘feeling’ e naturalidade, e isso falta muito no álbum. Observe, compor é diferente de gravar, e gravar com planejamento é bom, no entanto outra coisa.

Por fim, acho “Metallica” um disco sem sal, que nunca consegui ouvir inteiro e bem chato. Para quererem me matar de vez, prefiro mil vezes “Load”, seu sucessor de 1996, que foge e muito das características Thrash da banda (o “Black Album” também passa longe), traz nuances de Hard Rock e até pop, mas é extremamente honesto. Outro disco forçado do Metallica que entra neste hall é “Death Magnetic” (2008), o ‘retorno’ às origens mais ‘me engana que eu gosto’ que eu já vi (ouvi). O mais incrível de tudo. Junto com a estampa de “The Trooper” (single de 1983), do Iron Maiden, as quatro faces sombreadas da contracapa de “Metallica” foram as minhas duas primeiras camisas de Rock na vida. É de arrepiar, não?

*Vitor Franceschini é editor do ARTE METAL, jornalista graduado, palmeirense e headbanger que ama música em geral, principalmente a boa. Aliás, nem todas as músicas boas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário