Com influências de Death,
Doom, Sludge, Black Metal, Hardcore e Deathcore, grupo apresenta trabalho
conceitual estruturado como uma tragédia grega
Pesado, agressivo,
desconfortável e difícil de encaixar em uma única prateleira do metal. É assim
que o Bebê Feio chega a “Tragédia”, primeiro álbum completo de sua carreira e
trabalho que transforma alguns dos aspectos mais sombrios da experiência humana
em uma narrativa dividida em três atos e um epílogo.
Formado em 2021 por
Johnny, Pedrinho, Leandro, Bruno e Gunther o Titã, o Bebê Feio surgiu quando os
cinco músicos resolveram fazer uma boa bagunça sonora. Algumas bebidas de
procedência duvidosa depois, Death, Doom, Sludge, Black Metal, Hardcore e
Deathcore acabaram misturados em uma sonoridade agressiva e difícil de rotular.
A solução encontrada pela
própria banda foi simples: chamar tudo isso de metal feio.
Se nas redes
sociais o grupo faz questão de alimentar a fama com graçolas e presepadas,
musicalmente o Bebê Feio trata a coisa com muito mais seriedade. Depois dos EPs
“Bebê Feio” e “Bestiário”, que marcaram uma espécie de puberdade prematura da
banda, chega agora a suposta maioridade com “Tragédia”.
O ponto de partida do
álbum nasceu de uma ideia tão improvável quanto ambiciosa: e se um disco de
metal fosse estruturado como uma tragédia grega?
A resposta está em uma
sequência de músicas organizadas em três atos e um epílogo, formando uma
narrativa que passa por abuso, culpa, perda, religião, sofrimento, conflitos
internos e pela própria capacidade humana de transformar a dor alheia em
espetáculo.
A tragédia começa com
“Tarântula”. No primeiro ato, a faixa transforma um abusador em um predador
cuja presença continua contaminando a vítima mesmo depois de seu
desaparecimento.
O segundo ato aprofunda
os conflitos. “Sono” questiona como alguém pode cometer atrocidades e, depois,
simplesmente continuar dormindo. “Despresença” parte da queda da figura heroica
do pai para colocar em dúvida a existência de um Deus protetor.
É também nesse momento
que aparece “Tragédia”, primeira música de trabalho do álbum. A faixa desloca o
olhar para quem observa o sofrimento e transforma a dor em entretenimento,
mostrando que, diante desse espetáculo, ninguém permanece completamente
inocente.
No terceiro ato, o Bebê
Feio abandona o mundo exterior para mergulhar na própria mente.
“Condição Humana
Torturante” transforma o pensamento em um cativeiro. “Toxina da Fé” inverte a
lógica religiosa ao sugerir que talvez não seja a carne que contamine a fé, mas
justamente o contrário. “Instinto”, por sua vez, encerra o ato rompendo
qualquer tentativa de contenção e deixando escapar aquilo que nunca pôde ser
domesticado.
Depois de atravessar os
três atos, “Sal” assume o papel de epílogo. A música retrata uma mente saturada
pelo excesso de informação e que começa a se dissolver lentamente, como uma
lesma em contato com o sal.
Mas há algo inesperado
escondido no encerramento: esperança.
A harmonia de “Sal” abre
uma pequena fresta de luz em meio a tudo o que veio antes. Uma escolha que
revela uma contradição importante para compreender o Bebê Feio. Por trás das
tragédias, da violência, dos conflitos e das partes mais desagradáveis da
condição humana que aparecem em suas músicas, existe uma banda profundamente
otimista.
Com “Tragédia”, o Bebê
Feio leva seu metal feio para além da mistura de estilos. O termo passa também
a representar a maneira como a banda observa aquilo que existe de
desconfortável, contraditório e, muitas vezes, feio na experiência humana.
Tudo isso sem abandonar a
ideia de que, mesmo no meio da tragédia, ainda existe espaço para acreditar na
vida.
Ouça “Tragédia” agora na
sua plataforma de streaming preferida:
Acompanhe a Bebê Feio em
seus canais oficiais:
https://linktr.ee/bebefeio


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