(2026 – Nacional)
Mutilation Records /
Arsenal Distro / Sacramental Records
Com seu primeiro álbum de
estúdio, a Disruption Path chega para provar que experiência e maturidade não
são desculpas para se acomodar. Afinal de contas, apesar de debutar com a
banda, seus integrantes têm vivências no cenário e o próprio grupo tem mais de
dez anos de estrada, porém havia lançado somente singles e um EP.
Não deixa de ser uma
lição, pois o sentimento ao ouvir a primeira composição, “Death Metal”
(sabiamente colocada em seu devido lugar como faixa de abertura) emana
criatividade e uma energia de uma banda que parece ter acumulado tal com o
tempo. Já na primeira composição notamos os detalhes dos arranjos, com destaque
para os licks de guitarra e uma cozinha que não cai na mesmice. O refrão deixa
tudo mais interessante e os backings soam providenciais.
Falando em linhas vocais,
Helton Henrique, que já o utilizou em outras paragens extremas, mostra mais
consistência e personalidade em suas linhas, além de uma segurança incrível.
Seu gutural é acompanhado por backings rasgados que acabam contribuindo e muito
para a identidade da banda.
Voltando aos destaques,
“Religion” chama atenção para um trabalho mais soturno que a Disruption Path
desenvolve no disco, com a introdução em dedilhado e com trechos sacros,
crescendo gradativamente até se tornar um ato brutal que valoriza muito a
bateria de Daniel Fuzaro, sempre acompanhado pelas linhas precisas do baixo de
Adler Marcatti.
Como uma ode ao lado ‘old
school’ do death metal, “Ritual”, um dos singles prévios, prova porque tomou
tal posição e mais uma vez a banda destaca o trabalho da dupla de guitarras
Fernando Alan e Kleber Máximo, que se espelham magnificamente em nomes como
Benediction e Deicide, com influências que atravessam o oceano. O dedilhado de
violão no final da faixa traz um sopro gélido, que diminui (no bom sentido) o
calor do disco.
Por fim, não tem como não
mencionar a ‘thrasher’ “Ripper Assassin”, a grande surpresa do disco, com sua
dinâmica e sarcasmo, onde a cozinha martela sem dó e os riffs não perdoam os
mais ‘lerdos’. Por fim, “Conclave ov Chaos” não mostra somente evolução, mas a
lapidação de uma sonoridade que já estava bem encaminhada e aquela dose extra
de melodia que deixa tudo mais abrangente.
Por
Vitor Franceschini
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