sábado, 8 de outubro de 2016

Entrevista: Maestrick



Por Vitor Franceschini

Oriunda de São José do Rio Preto/SP, a banda Maestrick surgiu em 2006, sendo que seu primeiro EP, “H.U.C.”, foi lançado em 2010. No ano seguinte, a redenção veio com “Unpuzzle!”, um dos melhores discos de Prog Metal brasileiro. Enquanto trabalha no sucessor deste sucesso, o grupo resolveu lançar um EP de covers que apresenta várias particularidades. Trata-se de “The Trick Side of Some Songs” (2016). Para falar sobre seu debut e o novo EP, além de outros assuntos, o trio Fabio Caldeira (vocal/piano) Renato “Montanha” Somera (baixo/vocal) Heitor Matos (bateria) conversou com o ARTE METAL.


Primeiramente, já que essa é nossa primeira entrevista, gostaria que vocês falassem um pouco do aclamado álbum “Unpuzzle!” (2011). Como a banda recebeu a boa repercussão do disco e como o vêem hoje em dia?
Fabio Caldeira: O “Unpuzzle!” foi um grande sonho realizado. Foi nossa primeira oportunidade de colocar em prática nossas ideias e sentimentos em um álbum. Ao mesmo tempo foi nosso primeiro contato com o lado mais profissional da música. O sentimento que eu tenho, e estou certo de que meus irmãos de banda também, é a gratidão. Eu não mudaria nada do que fizemos, então ouço o disco hoje com muita alegria e orgulho.
Renato “Montanha” Somera: Nós recebemos com muita alegria os comentários e podemos ver hoje que nosso trabalho esta apenas começando, “Unpuzzle” só foi o começo de um longo trabalho da Maestrick. Sendo o primeiro álbum, aprendemos coisas para melhorar no próximo trabalho. 
Heitor Matos: O “Unpuzzle!” nos apresentou para o mundo e foi muito bem aceito. Por ser o primeiro álbum, existe aquele frio na barriga. Uma coisa são os amigos falarem que o som é legal, outra coisa é pessoas que nunca te viram na vida curtirem o som da sua banda! Hoje olho pro “Unpuzzle!” com muito orgulho, como o Fabio falou.

O fato do sucesso de “Unpuzzle” faz com que a banda tenha preocupação e pressão redobradas no próximo lançamento inédito?
Fabio: Nós somos pessoas muito atentas a todas as lições que cada etapa do nosso desenvolvimento como banda traz. Quero dizer com isso que não me preocupa a pressão do lançamento do nosso segundo disco, “Espresso Della Vita: Solare”, porque ele é uma sequência natural do nosso trabalho. Traz a essência do Maestrick, somada a tudo de novo que aprendemos. Hoje, sabemos mais do que nunca o que queremos e principalmente quem nós somos no meio de tudo isso. A ansiedade existe, mas é positiva.
Montanha: Nós continuamos compondo com a mesma alegria do “Unpuzzle” e melhorando algumas coisas que aprendemos na primeira experiência com o Maestrick no estúdio. O segundo disco é o próximo degrau que vamos subir, sempre com muita alegria no que fazemos.
Heitor: Existe ainda mais pressão que o primeiro é claro, mas se tem uma coisa que fazemos e sempre iremos fazer no Maestrick é compor com o coração e se você compõe com o coração as pessoas vão sentir isso na sua música. Vão ter comparações com certeza, mas é um risco que corremos a partir do momento que decidimos ser uma banda!

Mesmo com o lançamento do EP “The Trick Side of Some Songs” (2016), vocês continuaram divulgando “Unpuzzle”. A que se deve isso e como é receber elogios pelo primeiro disco cinco anos após seu lançamento?
Fabio: O lançamento do EP e a montagem do Press Kit, somado ao excelente trabalho do Som do Darma, nossa produtora, significou uma nova oportunidade de divulgar o “Unpuzzle” para pessoas que ainda não o conheciam. Receber um elogio hoje é uma alegria muito grande, porque nos mostra que o disco está passando pelo teste do tempo.
Montanha: O “Unpuzzle” é o nosso primeiro e único CD de músicas autorais no mercado, o lançamento do EP foi para mostrar algumas das nossas influências, dar algo novo para quem nos ouve enquanto estamos trabalhando para lançarmos o segundo álbum de inéditas. Eu acho incrível até hoje recebermos comentários positivos sobre nosso primeiro disco. Isso mostra que ainda estamos alcançando pessoas através do “Unpuzzle” e que poderão se interessar em ouvir o próximo disco.
Heitor: Nós conseguimos muito reconhecimento com o “Unpuzzle!” e isso pra uma banda do interior de São Paulo é muito legal, então acho que sempre iremos divulgar esse álbum.



Agora sim falando do novo “The Trick Side of Some Songs”. Por que optaram por lançar um EP e de covers ainda?
Fabio: Depois de termos uma ideia do cronograma das gravações da primeira parte do projeto “Espresso Della Vita”, o “Solare”, nós percebemos que o espaço entre o “Unpuzzle!” e ele seria muito grande. Então, pensamos em fazer algo que não exigisse tanto quanto um disco inteiro e a ideia dos covers veio, que já são músicas prontas e nos custaria apenas o trabalho de trazer para o universo do Maestrick.
Montanha: E também para mostrar para o público algumas das nossas influências, músicas que muitos não ouviam ou até não conheciam e o modo Maestrick de interpretar canções.

E como foi a escolha das versões que saíram no disco? Todas as bandas são influências diretas do Maestrick?
Fabio: Foi tranquila, porque não fizemos nada forçado. Todas as bandas que ali estão são algumas das influências do Maestrick. A nossa preocupação foi fazer um EP que soasse coeso do começo ao fim, e por isso escolhemos apenas grupos clássicos e suas fases mais progressivas.
Renato: Também escolhemos algumas músicas que já faziam parte do nosso repertório de shows e algumas que gostávamos de ouvir e nunca tínhamos tocado. Todas as músicas influenciaram a banda, pode ser mais em alguns integrantes do que em outros, mas está presente em todos.
Heitor: O Maestrick tem muitas influências, se fossemos colocar todas, daria pra fazer um álbum duplo. Decidimos homenagear os avós do Prog porque foram eles que começaram tudo, mas foi uma escolha bem rápida. Com certeza iremos fazer mais isso!

No EP vocês fogem um pouco da mesmice, investem em versões bem particulares, com arranjos originais, mas sempre buscando certa adaptação e deixando enigmas. Isso fica claro em Yes, It´s a Medley (Yes) e nas versões de The Ogre Fellers Master March – Part I: The Battle e The Ogre Fellers Master March – Part II: The Fairy and the Black Queen do Queen. Concordam com essa definição? O que podem falar a respeito?
Fabio: É muito legal ler isso, e concordo porque foi algo que nos atentamos a fazer. Adaptações, sem descaracterizar as músicas. Os enigmas são parte da personalidade do Maestrick, que é muito profissional e séria, mas que não se leva tão a sério assim às vezes. Temos alguns “easter eggs” nas músicas e quem tiver ouvidos atentos pode perceber.
Renato: Eu concordo com o que você disse. Nós trabalhamos mostrando o nosso modo de tocar e não um cover perfeitamente igual ao original. Sempre que possível deixamos enigmas sutis para dar jus ao “Trick” (de travessura, travesso) de Maestrick.

Já em músicas como Aqualung do Jethro Tull e While My Guitar Gently Weeps dos Beatles vocês foram mais fieis. A que se deve isso? Aliás, tais fatores foram propositais ou fluíram naturalmente, tanto nas versões mais atípicas quanto nas citadas nesta questão?
Fabio: Tudo fluiu naturalmente, e por isso é normal que algumas músicas nos deram mais oportunidade de colocar mais elementos. O fato que nós tínhamos em mente era que nós apenas queríamos homenagear essas bandas e presentear o público que nos acompanha e que espera nosso novo disco. Não tivemos a pretensão de tentar fazer algo soar melhor, até porque isso não seria possível. Todas as músicas que escolhemos são perfeitas como são. Nós somos apenas fãs respeitando também nossa forma de fazer as coisas.
Renato: Nestas duas músicas interpretamos mais próximas dos originais, ainda assim apresentando partes modificadas e elas soaram naturais, com apenas pequenas modificações. Se tivéssemos alterado mais partes, acredito que poderíamos acabar descaracterizando as músicas.
Heitor: Todas as versões saíram super natural, exatamente o que veio na cabeça. Esse EP foi feito como todos os álbuns do Maestrick, com o coração. Tenho orgulho de sempre citar que 99% do que vocês ouvirem nesse EP é o que realmente foi executado, não que os outros não são, mas nesse particularmente quase não existiu edição, a atenção maior foi na hora de gravar.

A arte da capa também é uma homenagem ao Rock progressivo com referências claras a “The Dark Side of The Moon” do Pink Floyd. Como foi trabalhada essa ideia?
Fabio: A capa é também a nossa versão da arte do “The Dark Side Of The Moon” do Pink Floyd. Podemos pensar que são as músicas originais passando pelo Maestrick e se tornando versões desconstruídas a nossa maneira.

E como o público recebeu “The Trick Side of Some Songs”, tanto os fãs quanto o público geral?
Fabio: Até agora, a recepção foi maravilhosa e nosso sentimento é de missão cumprida.
Renato: Tivemos muitos comentários positivos, o que possibilitou a oportunidade de tocar algumas das canções em um show nosso e tivemos uma ótima receptividade.

Obviamente no EP a banda deixou as influências Metal encontradas em “Unpuzzle!” de lado. Mas, no que está por vir, o que os fãs podem esperar de um novo álbum completo da Maestrick?
Fabio: O EP precisou ter uma coerência, e por isso não pudemos exagerar no peso das versões. Por conta disso, o lado mais Metal do Maestrick, que está mais forte do que nunca com certeza, não foi o foco nesse momento específico do EP. Mas o nosso disco novo terá certamente momentos muito pesados. Eu confesso que nossa preocupação principal é com o conceito do disco e as composições seguiram isso. O disco é uma viagem de trem de um dia, e o “Solare”, que é a parte que está sendo gravada, representa as 12 primeiras horas do dia, das 6h da manhã até as 17h no final da tarde. Então, pensando de uma forma geral, acho que teremos muitas oportunidades pra ser tudo o que podemos nesse projeto de dois discos. Isso nos empolga e muito!


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