quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Megaira: Sem se preocupar com fórmulas pré-estabelecidas



Por Vitor Franceschini

Os paulistanos do Megaira surgiram em 2009, porém seu primeiro trabalho só veio à luz em 2017. Mostrando uma sonoridade versátil e surpreendente, a banda mostrou muita maturidade com “Power, Lies and Death” e o potencial de angariar mais público é nítido. Para falar sobre o disco, tudo que o envolve e outros assuntos relacionados à banda, conversamos com o grupo que atualmente é formadaopor Paulo Schmidt e Annia Bertoni (vocais), Paulo Melo (guitarr), Tiago Souza (baixo) e Murillo Vuldroph (bateria).

A banda surgiu em 2009, por que o primeiro álbum, “Power, Lies and Death”, só saiu em 2017?
Paulo Melo: Tivemos muita dificuldade para fechar a formação do Megaira porque os músicos que entravam para a banda não permaneciam por motivos como divergências musicais e falta de tempo para se dedicar, desta forma sempre que um integrante novo chegava o processo praticamente recomeçava. No início também estávamos buscando a personalidade do nosso som, o que levou um certo tempo para que conseguíssemos desenvolver uma proposta que agradasse a todos dentro da banda, o que de certa forma não foi ruim, pois conseguimos inserir diversos elementos musicais de nossas influências na música que possibilitou um toque de originalidade. Outro fator que pesou para que o lançamento ocorresse somente em 2017 foi a cautela em nossas escolhas e tomadas de decisões, como a entrada de mais um vocal para completar a obra da forma que idealizamos e por conta naturalmente da falta de experiência e estrutura por sermos uma banda independente.

E como surgiu a oportunidade de lançar o debut pela Shinigami Records?
Annia Bertoni: Quando estávamos fechando o álbum com o produtor Thiago Oliveira (Confessori/Warrel Dane) ao entrar no assunto de lançamento ele mesmo comentou que o Megaira era o perfil da Shinigami Records e sugeriu que entrássemos em contato. Foi uma surpresa muito gratificante e uma honra para nós quando já de primeira o Willian ouviu o material, aprovou e nos aceitou lançar no mercado através do selo.

Vocês chegaram a lançar algo em outro formato antes do disco?
Paulo Melo: Quando iniciamos a pré-produção gravamos algumas demos e chegamos a dispor no myspace, porém foi algo despretensioso, podemos dizer que o lançamento oficial do Megaira até o momento foi o debut “Power, Lies and Death”.

O fato de “Power, Lies and Death” ser o primeiro disco fez com que vocês sentissem mais responsabilidade na hora de compô-lo? Aliás, como foi este processo de composição?
Paulo Melo: Na verdade, com relação a responsabilidade, sempre procuramos dar o nosso melhor e fazer o que realmente gostamos tanto nas composições, como em todas atividades da banda, como gravação, shows e divulgação. O processo de composição do disco foi bem natural, eu e o vocalista Paulo Schmidt já nos conhecíamos, pois tocamos juntos em outra banda antes de formar o Megaira, o que facilitou tudo, inclusive a ideia do nome da banda e a temática para as letras, focadas nos contos da mitologia grega foi dele. Em todas as músicas eu apresento as ideias dos riffs, melodia e harmonia para todos os integrantes, os quais atuam como uma espécie de filtro, para desta forma definirmos a duração de cada parte, o número de repetições que vamos executar e se for necessário eliminarmos ou acrescentamos partes a música. Após definirmos a parte instrumental o Paulo Schmidt adiciona as letras finalizando o processo.

A sonoridade apresenta uma mescla entre o Power Metal, o Thrash Metal e até música erudita. Isso não é improvável, mas é sempre um desafio para dar certo. O resultado de vocês é acima da média. O que podem falar sobre isso?
Paulo Melo: Muito obrigado pelo elogio! A sonoridade das composições soa realmente como uma mescla de todos os estilos e vertentes do Metal que apreciamos como fãs, como é o caso do Thrash, Death e o Heavy Metal tradicional, o que nos influencia diretamente. Quanto a inclusão de elementos da música erudita, eu estudei música erudita por cerca de seis anos e ouço com frequência os grandes compositores do estilo, sempre fui um grande fã da música grandiosa e incomparável de mestres como Mozart, Bach, Beethoven, Villa-Lobos e Vivaldi, talvez seja por este motivo que soe em alguns momentos como Power Metal. Acredito que o Megaira encontrou uma forma mais moderna somada ao tradicional de introduzir isso nas músicas sem ficar maçante e complementando a ambientação de cada música que, no álbum como um todo, é praticamente uma opera rock.

Aliás, vocês mesclam vocais masculino e feminino conseguindo sair de qualquer clichê imaginado até mesmo por quem ainda não ouviu a música da banda (só pelo fato de contar com um cantor e uma cantora na formação). Vocês tiveram a preocupação de fugir de tal fórmula ou soar de tal jeito?
Paulo Melo: Acredito que não tivemos preocupação com fórmulas pré-estabelecidas ou soar de um determinado jeito. Desde o início da banda, devido à temática e a forma como as letras foram escritas, com personagens narrando a história, remetendo de certa forma a ópera, imaginávamos outros timbres para que a mudança de personagem ficasse evidente.
Paulo Schmidt: No início, quando a banda estava tomando forma, soávamos mais Thrash Metal por conta de influências da outra banda que tivemos juntos, mas sempre quis fazer algo mais complexo e conceitual usando a temática de mitologia grega, que além de eu sempre gostar muito do assunto, é a base da cultura e das artes ocidentais, além de ter muitas histórias e personagens a serem trabalhados. Quando apresentei a ideia, a banda teve uma aceitação muito boa e partimos daí a acertar a sonoridade do Megaira, introduzindo ‘samples’ orquestrados para equilibrar com o peso agressivo e fomos em busca de uma voz que tivesse uma pegada não tão lírica e que se encaixasse dentro da proposta nas músicas. Foi então que o produtor Luiz Portinari indicou a Annia Bertoni que tinha as características vocais que queríamos, além de ser atriz e acrescentar a dramaticidade que faltava na banda como um todo porque a nossa temática permite esse tipo de abordagem. Nas gravações sentimos que o conjunto estava completo e equilibrado conforme sempre almejamos e tudo casava, porém com um toque diferente de tudo que já havíamos ouvido e resolvemos apostar!



E como é trabalhar essas linhas vocais com uma sonoridade enérgica e agressiva como a apresentada no debut?
Paulo Melo: Maravilhoso! O fato de termos dois vocalistas com uma gama vocal extensa nos oferece um leque de possibilidades para trabalhar que é muito bom, pois podemos inserir diversos elementos e alternar entre o melódico e o extremo com naturalidade.

Falando em agressividade, o que chama atenção de início na banda é o impacto inicial de “Power, Lies and Death”. Já na primeira audição o disco chama atenção pela dinâmica e peso, sem falar da já mencionada energia imposta. Isso foi intencional? Enfim, fale disso sobre um aspecto geral.
Paulo Melo: Não foi algo intencional, a ideia inicial para o som do Megaira era o Thrash/Death Metal, ou seja, algo que soasse brutal e pesado, porém conforme as composições foram sendo desenvolvidas percebi que poderia soar mais melódico, o que graças à inclusão de elementos sinfônicos ajudou muito a desenvolver os timbres, harmonias e riffs. Outro ponto que vale destacar foi a chegada da vocalista Annia Bertoni que entrou para o Megaira durante o processo de gravação de “Power, Lies and Death” e adicionou uma diversidade maior e melhor às vozes com a pegada Heavy Metal, colaborando assim para a música da banda soar desprendida de rótulos e equilibrando com o gutural de uma forma mais moderna.

Outro ponto crucial do trabalho é a produção orgânica, que ajudou enfatizar todos os elementos citados e enriqueceu a sonoridade do disco. Como foi o processo de produção? Vocês conseguiram atingir o resultado desejado?
Paulo Melo: A gravação e produção do disco ficaram a cargo do produtor Luiz Portinari e a mix e master final pelo produtor Thiago Oliveira. Tivemos algumas dificuldades devido à falta de experiência, porém ambos os produtores entenderam a proposta do trabalho e ajudaram muito somando ideias ao Megaira durante o processo de gravação e produção. Acredito que atingimos um resultado superior ao que esperávamos graças ao trabalho em equipe entre banda e produtores, e a recepção do Megaira tem sido ótima por parte do público e da crítica nacional e internacional.

“Power, Lies and Death” é um título bem forte que casa com a proposta de vocês. O que significa e o que vocês passam nas mensagens de suas letras?
Tiago Souza: O debut “Power, Lies and Death” narra a trajetória do rei Minos de Creta e seu reinado sanguinário e cego por poder. Os demais personagens que fazem parte de sua história, assim como ele, possuem seus almejos particulares. Portanto, o título do álbum engloba como um todo as particularidades e ambições egoístas e gananciosas de cada personagem.
Paulo Schmidt: O álbum inicia com a música Power and Cruelty, onde o personagem Minos, rei de Creta, assassina seus dois irmãos e faz juras e planos de poder. Durante a narrativa da história conhecemos outros personagens ligados ao rei com situações de mentiras, enganações e morte, como a princesa Ariadne, filha de Minos, que foi manipulada por Teseu e ao morrer foi transformada em uma constelação. Falamos também sobre a morte do Minotauro pelas mãos de Teseu,  o que enfureceu Minos e o fez condenar o arquiteto Dédalo e seu filho Ícaro a morrerem dentro do labirinto. Por fim o próprio Minos foi ludibriado pela sua sede de vingança e acaba morto, tornando-se eternamente um dos juízes de Hades no Tártaro ao lado de seus irmãos assassinados.  Achei o nome forte e se encaixa perfeitamente com toda a temática do debut.  Podemos ainda traçar um paralelo e ver a semelhança da trama com a história da humanidade até os dias de hoje, onde a mentira impera em muitos cenários em busca de interesses próprios, resultando em guerras, genocídios e uma busca incessante de todos pelo poder.

Por fim, quais os planos da banda para o 2018 que vem chegando? Shows? Mais lançamentos, enfim...?
Paulo Melo: Em 2018 o nosso foco será fazer shows para a divulgação do disco na América Latina e o lançamento do nosso primeiro clipe. Em paralelo a isso vamos compor material novo para planejar novos lançamentos sempre na mesma temática. Já temos muitas músicas novas construídas onde precisamos efetuar o processo de arranjos e letras, esperamos o mais breve possível entrar em estúdio para gravar o material inédito.

Muito obrigado pela entrevista. Este espaço é de vocês.

Megaira: O Megaira agradece a oportunidade e o espaço para divulgar nosso trabalho! O Brasil está cheio de novas bandas com trabalhos incríveis e é muito importante termos cada vez mais veículos dando espaço para divulgar esses trabalhos feitos com muito amor e dedicação, afinal a arte e o Rock/Metal de um modo geral no Brasil infelizmente não é o foco principal, mas continuaremos sempre lutando pelo nosso sonho para fazê-lo ganhar o mundo e representar nosso país. Ficamos honrados em ter canais como o ARTE METAL dando esse apoio e isso nos dá força para continuar na batalha! Agradecemos a todos e principalmente a você pelo carinho e tempo em ler nossa entrevista e conhecer nossa banda! Te convidamos a acessar nosso site  http://megairaofficial.com/  e ouvir nosso som disponível também em todas as plataformas digitais. Compre nosso CD que está a venda em nossa loja oficial, em várias outras lojas online e na Galeria do Rock em São Paulo e claro, curta nossa fanpage https://www.facebook.com/MegairaOfficial/  para saber tudo que está rolando! OBRIGADO!

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Shinigami Records