sábado, 6 de janeiro de 2018

Argos: Rompendo o silêncio



Por Vitor Franceschini e Adalberto Belgamo      

Os espanhóis da Argos estão na ativa desde 2004 e chegaram ao segundo disco em 2017. Com o título sugestivo de “Rompiendo El Silencio”, a banda de Madrid procura desta vez angariar um público que rompa as fronteiras de seu país. Nesta primeira entrevista para um veículo do Brasil, o baixista Daniel Hidalgo dá voz à banda e fala sobre este novo trabalho, a cena espanhola, entre outros assuntos. Completam o time David Santamaría (guitarra), Javier Arias (vocal/guitarra), além de Marcos Minaya na bateria.

Primeiramente gostaria que vocês falassem um pouco do novo disco “Rompiendo el silencio”. Como foi trabalhar nele e no processo de composição? Ouve alguma novidade nesse aspecto?
Daniel Hidalgo: "Rompiendo el Silencio" foi um projeto muito exigente em termos de composição e gravação. Estamos muito orgulhosos do resultado e as primeiras impressões estão sendo muito positivas. O peso da composição cai sobre os ombros de Javier Arias e David Santamaría. Produção e masterização foram desenvolvidas por David Martinez, um antigo amigo da banda que já produziu o nosso último EP "Despierta" (2014).

Qual a principal diferença deste novo disco em relação aos trabalhos anteriores? Enfim, o que vocês destacariam em “Rompiendo El Silencio”?
Daniel: Tudo é diferente neste álbum. Nós tomamos nosso tempo para fazer as coisas exatamente como nós queríamos. Você pode apreciá-lo em todos os aspectos do LP, desde as composições das músicas até a capa do álbum. Você encontrará o lado melhor e mais maduro da Argos.

Entre o debut e o novo trabalho há o EP “Despierta” (2014) que os distanciam entre cinco anos. O EP foi o motivo dessa demora em lançar algo completo ou ouve algum outro motivo?
Daniel: Sim, depois de gravar o EP com a Avispa Music, esperávamos um esforço maior da gravadora para promover e compartilhar o trabalho, mas não foi o caso. Após essa má experiência, decidimos repensar nosso projeto e os próximos passos. Este foi um processo muito longo, mas, finalmente, lançamos o novo álbum e estamos ansiosos para divulgar o nosso trabalho na turnê.



O Metal tradicional e o Power Metal dos anos 80 marcam as características do trabalho. São essas as principais influências da banda?
Daniel: Bem, é inegável que os anos 80 tiveram um grande impacto em toda a música relacionada com Madri ou Espanha, ainda ouvimos bandas dessa época como Sangre Azul, Barón Rojo, etc. Mas nos movemos em um tipo de Heavy Metal melódico. Nós amamos um riff esmagador, um coro fácil e uma atmosfera melódica que facilita lembrar a música.

Fora destes estilos há algo diferente que influencia a banda?
Daniel: É claro, a influência mais poderosa no Argos são as experiências de cada músico e sua trajetória pessoal. Somos pessoas muito diferentes trabalhando juntas e cada um traz seu próprio som. E todos juntos fazem o som do Argos.

A banda consegue se destacar cantando em sua língua pátria. Por que optaram por cantar na língua de seu país?
Daniel: Bem, nos sentimos confortáveis em nosso próprio idioma, onde podemos expressar precisamente o que queremos e também é um idioma muito extenso. Nós não estamos fechados com a ideia de cantar em inglês um dia, mas, falar um idioma é mais do que conhecer as palavras, você precisa entender a gramática - talvez em uma música não seja tanto porque é mais flexível - mas o mais importante de tudo, o sotaque, a pronúncia, você tem que dominá-los se você não quiser parecer um idiota. Ainda estamos praticando.

Falando nisso, qual mensagem procuram passar com suas letras?
Daniel: A mensagem geral incluída neste LP é uma reivindicação para refletir. A situação dos refugiados de guerra é o tema principal do nosso primeiro single "Hogar", a primeira vítima dos despejos na Espanha que se matou porque ele iria perder sua casa, a situação na Palestina, o terrorismo ou a primeira carta de amor para sua futura esposa / marido são alguns dos tópicos que você pode encontrar em "Rompiendo el Silencio".



E como tem sido a repercussão do novo trabalho “Rompiendo El Silencio”? Algum ‘feedback’ do Brasil?
Daniel: Tivemos diferentes respostas relacionadas ao "Rompiendo el Silencio", mas em geral estamos muito felizes. Os melhores críticos falam sobre um som muito particular que identifica a banda e nossa progressão nos últimos 14 anos. Esta é a melhor parte de tudo, quando você pode sentir a evolução do seu trabalho. Claro, existem outros críticos tão bons, mas tentamos aprender com eles e prestar atenção ao que pode ser melhorado. Em relação ao feedback brasileiro, você tem sido o primeiro interessado em nosso trabalho, mas espero que não seja o último!

Falando nisso, vocês conhecem a cena Metal do Brasil? O que em especial?
Daniel: Sim, crescemos com algumas de suas bandas de Metal mais internacionais, como Sepultura ou Angra. E tivemos o prazer de vê-los ao vivo em suas passagens pela Espanha. Eu gosto dessa pergunta que vem das pessoas de um país onde provavelmente o Metal tem que lutar duro para conquistar seu lugar. Porque suponho que sua situação seja muito similar à da Espanha, onde há outros estilos de música mais "populares". Neste aspecto, o Brasil e a Espanha são muito semelhantes.

E o cenário metálico da Espanha, em especial de Madrid, como é? Podem indicar boas bandas de sua terra?
Daniel: Bem, a cena na Espanha, em geral, é muito ruim quando falamos sobre qualquer tipo de música. Muitas salas de concerto foram fechadas e as únicas bandas que vendem ingressos são artistas consagrados como AC/DC, Metallica ou Iron Maiden. Durante os últimos meses, a cena parece ter melhorado com alguns novos lugares onde tocar ou ver shows ao vivo, mais pessoas vão a shows, mas ainda longe dos anos dourados de atividades em Madri. Eu posso recomendar as bandas Avalach, Dragonfly, Opera Magna, Nocturnia, há muito e muito bom Heavy Metal na Espanha, mas muito desconhecido, eu tenho medo...

Por fim, quais os planos do grupo para o vindouro ano de 2018?
Daniel: Na pendência da confirmação em 2018, faremos uma tour pela Espanha. Vamos começar em fevereiro e ainda estamos fechando novas datas. Depois disso, quem sabe, gostaríamos de expandir nossa música fora da Espanha, e temos uma boa chance de fazê-lo com nosso último álbum "Rompiendo el Silencio".

No mais, deixe um recado aos leitores brasileiros.
Daniel: Gostaria de agradecer primeiro a oportunidade e o seu apoio a novas bandas. Você faz um ótimo trabalho!! Para o público, ouvir música, ir a shows ao vivo e apoiar as novas bandas. E se você tiver tempo e quiser saber mais sobre o Argos, basta digitar argosmetalmusic no Google e você encontrará todas as nossas redes sociais e sites.


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