quinta-feira, 19 de abril de 2018

Angra – “ØMNI”


(2018 – Nacional)

Shinigami Records

Um marco na carreira do Angra, “ØMNI” é um disco que vivencia diversos momentos. O primeiro deles é o fato de não contar com Kiko Loureiro pela primeira vez, consequentemente estreando Marcelo Barbosa na guitarra. O outro é a incursão definitiva de Fabio Lione (vocal) e Bruno Valverde (bateria), que já gravaram “Secret Garden” (2015) – mas que aqui se mostram muito mais inseridos.

O novo disco também mostra um Angra se reciclando, porque inovar sempre foi parte da banda, mesmo muita gente sempre sendo injusta com uma das maiores bandas do Metal brasileiro. E como muito se tem visto por aí, “ØMNI” está longe de ser um retorno às raízes, muito pelo contrário.

Trazendo um conceito filosófico complexo, onde aborda o futuro da consciência humana à transcendência como espécie, algo na linha do ‘Mito da Caverna’ de Platão, o disco é moderno, brasileiro e Heavy Metal. Talvez Rock e Progressivo em alguns momentos, mas que não titubeia.

Quer ouvir o Angra que você conhece? Ouça Light of Transcendence e War Horns, quer matar a saudade de “Holy Land” (1996), vá para Caveman e veja como o que foi feito lá é atemporal, afinal modernidade, ritmos brasileiros e um coro espetacular (com direito a parte da letra em português) soam sempre no tempo atual.

A polêmica Black Widow’s Web, que conta com Sandy e Alissa White-Gluz (Arch Enemy) se contrapondo, só pode ser criticada por quem não ouviu e junto com Caveman será o bode expiatório de retrógrados conservadores. Mas, The Bottom Of My Soul, com Rafael Bittencourt no vocal, e a fascinante e com veia pop progressiva, Magic Mirror são as surpresas que só o Angra poderia oferecer. Se eu citar mais uma, como Always More (que balada e como canta Fabio Lione) começo a ficar injusto com o tracklist.

O talento de Kiko Loureiro faz falta, apesar da participação em War Horns, mas o Angra ganhou em densidade nas guitarras e mostra um passo adiante no quesito modernidade em seu som. A cozinha de Felipe Andreoli e Bruno Valverde mostra uma seção rítmica do Angra orgânica, como não se via há tempos. Dispenso os elogios à produção de Jens Brogen (Sepultura, Moonspell, Amon Amarth), porque é chover no molhado. E o Angra continua... agradando e incomodando.


9,0

Vitor Franceschini

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