sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Entrevista

O As Dramatic Homage tem como principal alicerce seu vocalista e guitarrista Alexandre Pontes que praticamente lançou o debut da banda “Crown” (2012) sozinho. Tendo em seu início um foco mais voltado para o Black/Doom Metal, em seu primeiro disco a banda mostrou uma vertente ainda focada nos dois estilos mas que também transita por outros caminhos como o Prog Metal, Heavy Metal e até música clássica. Atualmente com Evanildo Gouveia (bateria), Antony Vinco (teclado) e Alexandre Martins (baixo), o quarteto carioca mostra que está tendo sucesso com o primeiro disco, como nos contou Pontes em uma esclarecedora conversa, que também abrangeu outros assuntos.

Enfim, o que culminou que apenas você acabou gravando “Crown”? Quais foram as vantagens e desvantagens de trabalhar sozinho no álbum?
Alexandre Pontes – Eu sou o compositor e letrista da banda, comecei a desenvolver esse trabalho de maneira bem minuciosa e até então havia um baixista e outro guitarrista na época. Porém, com o tempo alguns compromissos individuais de cada um, a situação foi ficando complicada para que permanecessem na banda. Mesmo assim algumas partes foram gravadas por eles, então me vi só, porém não podia deixar que isso abalasse meus objetivos. Fiz o que tinha que ser feito, muito trabalho foi desenvolvido em torno dos arranjos musicais, vocais, letras e foi um processo que me dediquei intensamente. As vantagens que vejo em ter trabalhado sozinho é que hoje se eu tenho alguma atenção com a minha música é um mérito da minha dedicação e de certa forma da criatividade em alguns aspectos. A intenção em representar a minha extensão musical é o que resultou no repertório desse CD e obviamente essa é a afirmação da minha personalidade musical. Sobre as desvantagens, no aspecto financeiro é complicado porque você precisa continuar trabalhando sempre e gastos são inevitáveis, os compromissos pessoais às vezes se confrontam com os da banda que tem que ficar em segundo plano, mas fora isso, sinceramente não vejo tantas desvantagens.

Você compôs o álbum todo ou algumas músicas já estavam prontas desde quando a banda contava com a antiga formação?
Alexandre Pontes – Algumas delas já tinham um desenvolvimento encaminhado, mas nada aproveitado de formações anteriores, a banda não tinha uma formação fixa desde 2005! As ideias, personalidade e visões sobre muitas coisas hoje em dia são bem diferentes daquela época, tudo que foi depositado no CD são idéias e ideais que vieram se desenvolvendo em 2 anos, ou seja, foram atuais e minhas.

Interessante notar que, apesar de “Crown” ser o primeiro disco do As Dramatic Homage, mostra uma evolução na sonoridade das composições. Isto é, a banda iniciou se enveredando pelos caminhos do Black/Doom Metal, mas hoje explora outros elementos como o do Progressivo e do Metal em si. Fale-nos um pouco a respeito.
Alexandre Pontes – É algo que desde o começo da banda existiu, seguir esse caminho foi uma novidade que me marcou bastante na época e evoluir no meu caso sempre foi um objetivo, a ambição de progredir e não seguir tendências. Não acho que mudamos muito o estilo, mas acho que ampliamos dentro de nossa própria identidade. Sei que sou responsável pelo fato dessas “mudanças” por sempre ter sido o compositor e por isso ao longo dos anos tive, assim como ainda tenho interesse em transitar por novos caminhos e me desenvolver como compositor. Não vejo muito sentido em querer ficar estagnado musicalmente, meu ego não determina nada nas minhas músicas e sim meu coração e boas intenções, sempre trabalhei assim. É muito natural levar a nossa música em pontos distintos, climas diferentes e com intensidade.



O trabalho vocal apresentado no disco é um dos pontos positivos. A alternância entre rasgado e limpo, além de passagens narradas estão muito encaixadas. Como você desenvolveu isso?
Alexandre Pontes – Sempre levei tudo na raça e no estilo “faça você mesmo”, então essa é uma gratificante observação, muito obrigado. Acho que devido ao tempo que faço essa função me ajudou, porém as linhas de vocal limpo foram o meu maior desafio. Como disse anteriormente, sempre quis me desenvolver por esses níveis maiores, obviamente em minhas condições, o importante é saber até aonde você pode chegar com sua personalidade, sem essa de querer imitar alguém. Eu procuro fazer o melhor com o que eu tenho, mas não me sentia muito capaz, no entanto toda essa energia que me envolvia em relação ao nível das músicas me fez ter um pouco mais de coragem, as músicas pediam algo mais que vocais pesados, eu precisava dar um tom mais envolvente, emotivo e épico em algumas passagens das músicas, então durante o processo de pré-produção eu ouvia e pensava: ‘sim eu sou capaz’, e ali foi o que me deu mais segurança e me senti muito bem em desenvolver essas linhas pois foi uma conquista pessoal muito importante como vocalista.

“Crown” é um trabalho bem particular que traz conceitos filosóficos em seus temas. Fale-nos um pouco do contexto lírico abordado no álbum.
Alexandre Pontes – Escrever letras é uma tarefa que requer estudo e experiência e obviamente demorou mais a preparar toda a estrutura dos temas líricos. Eu preciso me sentir “encontrado” com o sentido do que quero transmitir, as palavras são parte de um contexto complexo e completo que precisam estar em harmonia com a música. Eu tenho a minha maneira de escrever, desenvolver e achar as palavras certas que expressem o sentido pelo qual quero transmitir, não é algo que encaro com facilidade, porque a minha pretensão é escrever sobre algo relevante, que tenha um mensagem ou reflexão interessante sobre as pessoas, de maneira até poética, mas sei que tem pessoas quem nem ligam para as letras de uma banda. Acho que deve haver um elo realmente forte em tudo o que envolve uma música.



E como tem sido a repercussão do disco até então?
Alexandre Pontes – Eu me deparo com essa questão através de vários panoramas. Ter sucesso ou ser bem repercutido entre o público e mídia é algo que não se tem como medir, pois estamos lhe dando com as chances de ser aceito ou não diante do gosto pessoal das pessoas, nem as grandes bandas tem muita noção disso hoje em dia. Um grupo lança um CD, vende-se pouco, é feito muito o download dessa obra. Tocar no próprio estado é complicado, em outros estados é mais ainda, mas se as pessoas ouvirem algo de seu som e gostarem seu nome será repercutido. A divulgação “boca a boca” ainda é uma das melhores formas de divulgação. No nosso caso eu tenho muito os pés no chão, pessoas de gostos musicais bem distintos curtem nosso trabalho e isso é bom, demonstra que não estamos focados em estar dentro de apenas um segmento musical, mas isso não é uma opção, é a nossa característica musical, a nossa música fala por si. Não estou nesse meio pra ser famoso, ter grana, claro que eu não sou hipócrita de falar que se isso acontecesse eu não iria gostar, mas eu sei como é o meu país e o público. O Brasil é uma potência de bandas de qualidade, desde o mais extremo, sujo e ríspido até o mais sofisticado e progressivo, porém o respeito e apoio é praticamente nulo. Então eu considero que diante das ótimas resenhas em torno do CD, estamos dando passos curtos e importantes, posso considerar que está sendo bem positiva essa aceitação, todo bom reconhecimento deposita uma dose de energia positiva em cima do seu ego e trabalho. Te dá forças para caminhar e querer mais, seguimos sempre adiante.

Atualmente o As Dramatic Homage conta com uma formação, ou seja, não é mais somente você (risos). Como se deu a entrada dos novos integrantes?
Alexandre Pontes – É, agora não sou mais eu, que merda (risos). Vamos lá, eu e o baterista já tivemos uma banda no começo dos anos 90 que durou até 98, quando eu resolvi terminar com esse projeto e formar o As Dramatic Homage com outras pessoas. Em 2010 eu estava sem baterista na banda e convidei ele para saber se poderia fazer alguns shows com a gente, mesmo sabendo que ele não tinha um desenvolvimento muito ligado ao nosso estilo. Porém, pelo fato de já ter tido trabalhado antes com ele, sempre soube do seu potencial e energia em tocar seu instrumento, isso foi crucial e sempre me deixava motivado, a química dos velhos tempos estava lá depois de 12 anos, porém de uma maneira musical mais madura e a situação foi se desenvolvendo. O tecladista nós nos conhecíamos de ocasiões e certa vez comentei com ele que estava pensando em ter um tecladista para tocar em shows, mas não sabia que ele tocava e ele mencionou que tocava e gostaria de tentar. Fiz o convite para ir aos ensaios e ver as possibilidades, a coisa foi fluindo e certo dia perguntei se ele queria permanecer na banda como integrante e assim voltamos a ter um tecladista novamente. O atual baixista já esteve na banda antes, mas devido as suas obrigações pessoais na época teve que sair e retornou esse ano para fazer alguns shows. Estamos com uma unidade em sinergia, as coisas têm fluido bem.

Aliás, vocês tem se apresentado ao vivo? Como está a agenda de shows?
Alexandre Pontes – Sim, fizemos alguns shows em nossa região e em Campos dos Goytacazes/RJ, devemos finalizar o ano com uma apresentação agora no mês de Novembro aqui no Rio de Janeiro, depois estaremos mais focados para dar continuidade nas novas músicas e estarmos prontos para o próximo ano afim de obter mais possibilidades de apresentações principalmente fora de nosso estado.

“Crown” saiu em 2012, portanto acredito que você já tenha algum material novo para um próximo trabalho. O que pode nos adiantar a respeito do futuro do As Dramatic Homage?
Alexandre Pontes – Sim existem muitas ideias que já estou trabalhando, porém pretendemos levar o “Crown” para mais locais e pessoas ainda, se possível realizar mais apresentações e paralelamente estaremos focados nos novos sons e demais atividades que possam impulsionar nosso nome.

Muito obrigado. Pode deixar uma mensagem aos leitores.
Alexandre Pontes – Eu agradeço imensamente pela atenção e apoio ao nosso trabalho e aos leitores. Conheçam nosso mais recente trabalho, o aclamado CD “Crown”. Apoiem as pessoas que trabalham de forma séria e honesta para manter o metal nacional no topo. Um grande abraço á todos e sucesso em seus ideais, sucesso ao Arte Metal sempre!


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