quarta-feira, 24 de junho de 2015

Entrevista: Animal House



O Animal House não foge da risca das bandas nacionais que vivem as dificuldades do underground e mesmo assim consegue se superar na raça e lançar trabalhos de qualidade. Prova disso é o primeiro álbum “First Blood” (2013) e o agora recém lançado EP “Limbo”. Batemos um papo com o líder, vocalista e baterista M. Animal que, ao lado de Arion Renée (guitarra), luta para manter o legado de sua banda.

Bom, primeiramente vamos falar do debut “First Blood” (2012). Qual foi a repercussão dele e como a banda o vê atualmente?
M. Animal: A repercussão foi boa. O fato de ter sido disponibilizado de maneira gratuita na internet nos fez alcançar um público maior do que provavelmente teríamos conseguido se lançássemos em formato físico, principalmente se levarmos em conta o fato de a produção não estar 100% e também pelo fato de ser debut de uma banda nova, sem nenhum tipo de apadrinhamento. Apesar disso, a banda nunca recebeu nenhuma crítica negativa sobre o trabalho. Todos que o ouviram conseguiram olhar além das limitações técnicas e entender que se trata de um trabalho sério, feito com paixão. É um disco que eu pessoalmente tenho muito carinho, pois é a realização de uma vontade de anos, e o primeiro passo sólido para a banda. Tenho muito orgulho desse disco, e pretendo relançá-lo futuramente, com uma produção melhor, para dar ao disco e aos fãs o respeito e o peso que ambos merecem.

Foram três anos para lançar o novo EP “Limbo” (2015). Qual a conexão desses dois trabalhos e quais as principais diferenças deles?
M. Animal: Começando pelas diferenças, a qualidade de produção ficou muito acima do debut. Dessa vez tive tempo e condições de não apenas acompanhar de perto, como também me envolver diretamente com o processo de produção e a diferença é gritante. Ainda não está 100%, mas garanto que fizemos o melhor possível dentro das nossa limitações financeiras e de equipamento. “Limbo” representa uma evolução natural do processo de composição da banda. Melodias mais complexas e harmoniosas sem nunca abandonar o peso. È uma boa transição, mostrando uma cara nova, mas ainda carregando muito das características mostradas em “First Blood”. Acho que no fundo era isso que eu queria mostrar, “First Blood” foi pra deixar claro qual era a proposta da banda, já “Limbo” mostra que podemos inovar, ir além mas sempre nos mantendo fiéis ao nosso trabalho. O maior exemplo disso é a música Monochromatic, que era pra ter sido lançada ainda no “First Blood”, mas por questões financeiras e de tempo, não foi possível. O que acabou sendo uma coisa boa, pois a música sofreu uma bela alteração pra melhor comigo diretamente na produção.

E como foi compor “Limbo”. Havia alguma coisa que sobrou de “First Blood”?
M. Animal: Pois é, acho que acabei me empolgando e respondendo essa pergunta juntamente com a resposta da questão anterior. Queríamos mostrar um trabalho mais técnico, mas sem distanciar muito das raízes. Na verdade, houve uma fluidez natural entre um trabalho para o outro, e acho que isso é bem perceptível para o ouvinte.

O novo trabalho traz uma evolução natural em todos os aspectos, mas mantém as características da sonoridade do Animal House. Vocês concordam?
M. Animal: Com certeza, e essa é mais uma pergunta na qual eu acabei me adiantando na resposta em pergunta anteriores. Mas fico feliz com isso, a forma que as perguntas estão sendo conduzidas mostra que meu objetivo com o “Limbo” foi atingido.



Aliás, a banda investe em um Metal com experimentações e bem diferente do comum. Esse é o objetivo ou flui naturalmente?
M. Animal: Um pouco das duas coisas na verdade. O objetivo da banda era e continua sendo fazer um som original, algo diferente do que é apresentado hoje no mercado, principalmente se formos tomar por base o atual cenário nacional. Não nos prendemos a rótulos, acredito que isso limita muito o processo criativo e diminui a banda. E isso acaba sim fluindo naturalmente, cada membro da banda possui suas influências pessoais, dentro e fora do Rock/Metal, tentamos sempre trabalhar isso de uma maneira equilibrada em nossas composições.

Vocês também preferem trabalhar nas suas próprias produções. Por que essa preferência e quais vantagens vocês vêem em manter o Animal House 100% independente?
M. Animal: Na verdade acaba vindo mais de uma necessidade financeira do que uma preferência. Sim, existe o fato de termos total liberdade para deixar o som com a nossa cara, e isso conta muito pra mim. Mas há também uma enorme desvantagem, principalmente falando em termos de divulgação. È bastante complicado, principalmente falando do ponto de vista financeiro, para a banda se firmar hoje, sem, digamos assim, apadrinhamento. Infelizmente hoje ou você tem uma grana legal pra se aparecer, ou você se rebaixa puxando o saco de alguém influente na cena. Como eu tenho pouco dinheiro, mas muito respeito próprio, não faço nenhuma das 2 coisas. Acho que é isso, do Aldo bom temos total liberdade para sermos íntegros com nós mesmos e com nossa música, e pelo lado ruim, ficamos à margem em questões de divulgação de nosso trabalho principalmente.

Além da sonoridade, a arte da capa do novo EP também chama muito atenção. Como foi o processo de concepção da mesma?
M. Animal: Eu vi a arte da capa através de um catálogo que um conhecido meu que é artista gráfico possuía em sua página profissional. Eu tinha mais ou menos uma idéia do que eu queria para a arte, e quando vi a imagem decidi na hora. Eu sempre tento enxergar as coisas além do que elas se apresentam, herança dos meus estudos em semiótica. Eu gosto que a ANIMAL HOUSE converse com o seu público, não através somente das letras, mas também no aspecto visual. Quando vi a capa na hora eu vi que era o que queria passar, a caveira, as correntes, tudo se encaixou dentro da minha visão sobre a mensagem que eu queria passar. Também queria que a arte desse disco fosse menos minimalista, ao contrário da capa do “First Blood”. Foi de um extremo ao outro eu diria. Eu gosto de coisas assim, então esperem coisas assim das próximas artes da ANIMAL, uma capa rica em detalhes, e outra minimalista.

E como está a repercussão de “Limbo”?
M. Animal: Muito boa. Confesso que está um pouco mais devagar do que eu pretendia, mas mesmo assim o disco está sendo muito bem recebido. Todas as resenhas que o disco recebeu até agora deram pareceres excelentes, e eu fico muito orgulhoso disso. Mostra que a ANIMAL HOUSE vai sempre se superar e principalmente superar as dificuldades impostas à banda.

Vejo que vocês interagem bastante na internet e redes sociais. Na opinião de vocês até que ponto a internet ajuda na divulgação do trabalho de uma banda e quando ela se torna perigosa?
M. Animal: A internet acaba sendo uma saída bem viável para quem tem pouca grana pra investir com divulgação, como é nosso caso. A principal vantagem é sua abrangência. A internet é um veículo mundial, e qualquer pessoa em qualquer lugar pode acessar informações sobre a ANIMAL HOUSE. Mas infelizmente o público de uma forma geral vê a internet ainda como algo secundário, dando preferência a veículos como, por exemplo, revistas impressas. Muitas dessas revistas cobram para veicular algo sobre alguma banda, o que não as torna uma boa referência, pelo menos a meu ver. Já a internet tem essa vantagem. Muitos dos canais são zines ou mídias independentes, que não recebem dinheiro para fazer resenhas, fazem isso por amor à música. Eu mesmo prefiro receber uma boa resenha de um veículo virtual independente que eu sei que é íntegro, do que receber uma boa resenha de uma revista que eu sei que cobra por esse tipo de serviço. Acho que um dos maiores problemas da internet acaba sendo a banalização. Pela facilidade de acesso, muita gente acaba espalhando informações falsas, seja talvez por não se informar direito ou por maldade mesmo. Isso ocorreu com a ANIMAL HOUSE após o lançamento do “First Blood”. O antigo guitarrista da banda começou a espalhar que a ANIMAL HOUSE havia plagiado suas músicas. O que é claro não passava de uma grande mentira. Esse fato se deu por pura inveja, pouco tempo depois que ele saiu da banda ele começou a espalhar que a banda tinha acabado por que ele havia saído, 6 meses depois eu lanço o “First Blood”. Pura dor de cotovelo. O cara nunca se conformou, sempre se achou insubstituível, e quando o conto de fadas egocêntrico dele ruiu, ao invés de tomar uma postura humilde achou que seria uma saída mais interessante difamar a banda. Mas a história não pegou, quem conheceu a banda e acompanhou o episódio sabe exatamente o que aconteceu. Prova maior disso é que 3 anos desde o lançamento do “First Blood”, a ANIMAL HOUSE está lançando seu segundo trabalho 100% autoral e esse indivíduo ainda não tem nada pra mostrar.

Muito obrigado. Podem deixar uma mensagem.
M. Animal: Queria primeiramente agradecer ao Arte Metal pelo espaço que deu à ANIMAL HOUSE nessa entrevista. Agradecer a todos que lerão até aqui e pedir desculpas pelas longas respostas, sempre me alongo mais do que acho que deveria em entrevistas. Agradecer a todos que apoiam a banda e ajudam a divulgar nosso trabalho. Um forte abraço a todos do fundo do coração, e se preparem que a ANIMAL HOUSE ainda tem muita coisa nova pra mostrar.



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