terça-feira, 29 de setembro de 2015

Entrevista: Astafix



Liderada pelo vocalista e guitarrista Wally (ex-CPM22), a banda Astafix superou a perda de um integrante mais do que importante com seu novo álbum “Internal Saboteur” (2015). Afinal, o guitarrista Paulo Schröeber faleceu durante as gravações, e o grupo teve que dar seus pulos. Em um misto de fúria e emoção, Wally juntamente com Ayka (baixo) e Thiago Caurio (bateria) recrutaram o guitarrista Cássio Vianna e soltaram um disco e tanto, que une Thrash e Groove Metal. Wally conversou com o Arte Metal e falou sobre tudo que envolveu esse trabalho e o futuro da banda.

“End Ever” foi lançado em 2009 e o DVD “Live In São Paulo” em 2011. Foram quatro anos desde o último trabalho e seis desde o debut. Até que ponto a passagem de Paulo Schroeber influenciou neste hiato? Enfim, em qual ‘pé’ andava a concepção geral de “Internal Saboteur” até o falecimento do guitarrista?
Wally: Nós queríamos muito gravar esse disco com o Paulo e voltarmos pra estrada com ele, estávamos esperando ele melhorar pra gravar esse álbum, já estávamos compondo desde 2011 juntos, inclusive tentamos gravar em 2011, mas o Paulo acabou ficando meio mal nessa época, lembro que foi logo apos voltarmos de alguns shows na Argentina, ele me falou pra gente dar um tempo, e tentar gravar em 2012, mas não rolou tambem, e entao nós fizemos a tour na Europa, com o Cássio Vianna substituindo o Paulo, voltamos da tour e rolou essa pequena pausa em 2013, o Paulo tinha melhorado no fim do ano, e estava bem animado pra gravarmos, começamos a agendar as datas com o Brendan Duffey (produtor do album), só que no começo de 2014, ele piorou e acabou não resistindo, só voltamos a ensaiar e começamos a gravação do Internal Saboteur no final de 2014.

E como a banda sentiu isso e passou para o novo álbum? O fato fez com que vocês entrassem com mais gana para finalizar o trabalho?
Wally: Acho que tudo que a gente passou nesses últimos anos acabou refletindo no álbum, a energia foi muito forte durante a gravação,  entramos no estúdio com essa vontade de destruir tudo!

“Internal Saboteur” traz o dobro de peso em relação a “End Ever” que já era um trabalho pesado. Isso fluiu de forma natural ou foi algo que a banda investiu mesmo na hora de executar as composições?
Wally: As músicas já foram saindo assim, a gente baixou mais ainda a afinação dos instrumentos, acho que isso ajudou também no resultado final deixando o disco mais pesado, e também tem bastante raiva, e uma energia alucinante, na execução e na interpretação das músicas, acho que isso ajudou bastante também.

Ao mesmo tempo em que há músicas velozes, o disco traz composições mais cadenciadas que transbordam até climas mais emotivos e reflexivos. Fale-nos um pouco a respeito disso.
Wally: Gosto disso, acho que essa mistura deixa o som do Astafix mais legal, momentos de pura pancadaria, e outros momentos mais arrastados, mas que soam pesados pra caralho também. Esse clima já vem na própria música, no próprio riff e você já fica até mais sintonizado pra escrever a letra, ou você já tem a letra pronta e depois que aparece a música, você pensa, aquela letra encaixa bem aqui, tem tudo a ver com o clima que os riffs passam.



Aliás, essa versatilidade e distinção entre as composições chamam atenção. Até porque mesmo assim as músicas mantêm a essência da banda. O que podem falar a respeito?
Wally: Essa é a parte legal, vamos da música mais rápida para uma música com mais groove ou mais arrastada, isso sai de forma natural, e acaba sempre soando como Astafix. Gostamos de transitar entre vários estilos dentro do Metal, e é essa dinâmica que em minha opinião dá uma cara pra banda.

Uma das evoluções nítidas é o seu vocal que parece ter criado de vez uma identidade própria. Este é outro fator que vocês trabalharam ou fluiu naturalmente?
Wally: Foi rolando naturalmente, quando comecei a gravar os vocais na pré-produção do álbum, já começou a sair desse jeito, e sentimos que esse era o caminho a seguir.

A produção, masterização e mixagem ficaram a cargo de Brendan Duffey, que também tem créditos em 10 faixas do álbum. Qual é a proximidade de Brendan com a banda e como é trabalhar com ele?
Wally: O Brendan é um grande amigo meu, o nome dele aparece nos créditos de algumas músicas que escrevemos a letra em parceria, desde o primeiro disco nós escrevemos alguma letras juntos. Às vezes eu já chego com a letra pronta, mas acrescentamos algumas ideias dele, outras vezes chego com um tema, conversamos sobre ele, e começamos a escrever, tem essa sintonia legal entre a gente, e as ideias acabam fluindo rapidamente. Quando o Astafix ainda era só um projeto em 2007, ele já estava lá dando uma força, considero ele como um quinto membro da banda, e trabalhar com ele é sempre muito agradável, e ele sabe extrair o melhor de cada um durante as gravações.

Falando agora do substituto do saudoso Paulo Schroeber. Como chegaram e por que escolheram Cássio Vianna? Como foi e está sendo trabalhar com ele?
Wally: O Cássio foi aluno do Paulo, ele já tocava com o nosso baterista Thiago Caurio em outra banda e já era amigo da gente ha muito tempo, então foi meio que natural, ele já fazia parte da família. Ele fez a turnê na Europa em 2012 substituindo o Paulo, e rolou bem pra caramba o entrosamento com a banda. É um cara legal, um ótimo guitarrista, e esta sendo um grande prazer trabalhar com ele.

A arte gráfica de “Internal Saboteur” ficou por conta de Marcelo Vasco (Slayer, Machine Head, Soufly). Por que escolheram-no e como foi desenvolvido o trabalho?
Wally: Curto muito o trabalho do Marcelo Vasco, e já pensava em fazer essa capa do novo disco com ele há algum tempo. Eu já tinha o titulo do álbum “Internal Saboteur”, entramos em contato, vi algumas artes que ele já tinha e por acaso ali no meio achei uma que combinava com o nome do disco, e gostamos muito, então ele trabalhou em cima e deixou a arte mais legal ainda.

E como tem sido a repercussão de “Internal Saboteur” até então? Aliás, o público headbanger tem aceitado numa boa o fato de Wally ter vindo de uma banda mais ‘comercial’ como o CPM22 ou isso nem influi?
 Wally: A repercussão tem sido muito boa, por parte do público e da crítica especializada. O público do Metal sabe diferenciar quando o lance é feito de verdade, e entendeu a proposta da banda, foi muito importante pra mim ter montado o Astafix,  e ter voltado às minhas raízes. Muita gente não sabe, mas quando montei as minhas primeiras bandas com 15, 16 anos, o som que eu fazia era Thrash Metal, então já vim dessa escola, mas acabei me aventurando por outros caminhos. Outra curiosidade legal e que poucas pessoas sabem, é que meu professor de guitarra nessa época foi o Moyses do Krisiun, comecei a tocar guitarra por causa desse estilo de música, que sempre foi o meu estilo predileto, sou muito grato pelas pessoas entenderem que eu quis buscar o meu caminho como músico e fazer aquilo que realmente estava sentindo.

Quais os planos para o restante do ano de 2015?
Wally: Voltarmos a tocar, fazer os shows de lançamento do disco, e batalhar para tocar bastante pelo Brasil, essa é nossa intenção no momento. O primeiro show de lançamento do álbum será em Caxias do Sul/RS, logo mais deve rolar em São Paulo,  vamos gravar dois clipes até o fim do ano também.

Muito obrigado pela entrevista. Podem deixar uma mensagem aos leitores.
Wally: Obrigado pela força! Um abraço pra todo mundo que curte o Astafix, a gente se vê nos shows!!!


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