terça-feira, 5 de junho de 2018

Trieb – “Deserto”


(2017 – Nacional)

Independente

As vezes a gente não consegue entender o cenário nacional, principalmente quando recebe e ouve um trabalho igual este dos fluminenses do Trieb. Afinal, como uma obra dessa não teve ainda mais repercussão do que merece? Estaria o ‘headbanger’ brasileiro interessado em coisas novas?

E quando digo coisas novas, não quero dizer ‘moderna’ e/ou fórmula atual. Até porque o quarteto de Niterói/RJ investe em algo épico, uma mescla tradicional entre o Heavy Metal e o Doom Metal, este último com mais foco em seus primórdios e nos moldes mais oitentistas.

“Deserto” é o primeiro disco da banda e prima pelo equilíbrio nos estilos citados. A banda não economiza no tempo e em faixas longas, consegue explorar tudo que pode, mas atinge o mais importante: não cansa o ouvinte. Tudo devido a uma variação rítmicas de dar gosto, arranjos belíssimos e climas épicos de arrepiar. Tudo mantendo os pés no chão, sem exageros (com exceção das longas composições, mas aqui é um detalhe).

Instrumental variado, com guitarras bem impostas, que se utilizam da dose certa de melodia (sem contar os bons timbres). A cozinha mantém as alternâncias de ritmos, aliando no peso e ditando as variações da banda, sem se preocupar demais com técnica, soando inclusive simples nos momentos que precisam.

Tudo com bons arranjos de teclados, bem encaixados, que servem como um auxilio, surgem quando necessários. Tudo com linhas vocais excelentes, bebendo na escola dos mestres Warrel Dane (Nevermore, Sanctuary) e Messiah Marcolin (ex-Candlemass, Memento Mori), porém com uma versatilidade que segue toda a banda. Impressiona as transgreções do agressivo para momentos mais limpos, outros falados e até leves guturais.

As temáticas vão em cima de várias mitologias, desde Carcosa até Sodoma (uma das melhores composições), mas com um ápice interessantíssimo na faixa Devil Blows the Desert Winds, que honra o homem sertanejo com analogias impressionantes da história da humanidade, uma obra prima de 26 minutos que passa voando (pode acreditar). Isso tem que ser ouvido.


9,0

Vitor Franceschini

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Shinigami Records