quinta-feira, 28 de março de 2019

In Lo(u)co: Síndromes...



Por Adalberto Belgamo

No começo da década de 80, comecei a me interessar “realmente” por música (leia-se Rock e derivados). De onde vinham minhas influências? Dos mais velhos, lógico! Irmãos, parentes e amigos.

Kiss, Sabbath, Purple, AC/DC, Floyd e Beatles foram as bandas, com as quais tive o primeiro contato. Eram as “clássicas” dos anos 60 e 70. Havia outros movimentos e “ondas” musicais acontecendo, das quais também sou fã até hoje. Mas vamos nos concentrar, vamos dizer assim (risos), na parte mais pesada das harmonias e melodias.

Paralelamente às chamadas bandas clássicas, desembarcava no país a NWOBHM. Foi a primeira vez que tive contato com as síndromes de “banda velha” e “banda nova”.

O pessoal setentista olhava meio torto, pois a maioria dos grupos pouco se utilizavam da influência, por exemplo, do Rock “básico” e do Blues. As bandas vinham de outro universo musical, o europeu. Até então, a referência principal era o Rock estadunidense. Lembro-me de ouvir pela a primeira vez que os 60 e 70 eram melhores. Muitos sequer ouviram um LP do Saxon, por exemplo, do começo ao fim! Estava instituída a síndrome de banda velha! (risos).

Mais para a metade da década conheci a síndrome de banda nova com a chegada do Thrash/Black Metal. Nem 70, nem 80. Talvez um pouco de NWOBHM, porque era referência das bandas emergentes, principalmente o Metallica.

Nesse ínterim surge o “truzão” (risos)! Posers will die! Death to false Metal! Um bando de – como dizem hoje em dia (risos) -  modinhas se desfazendo de LPs e camisetas. Conheci um sujeito, que gravou todos os solos do Eddie Van Halen em uma fita e doou os discos. Tenho um comigo, ainda! Surreal! Olhem aonde chegava o radicalismo!

E no século XXI? ‘Igualinho!’
Conversando sobre o lançamento do “The Dirt (Mötley Crüe), um “infeliz” (risos) disse que o Hard Rock (Hair Metal) dos anos 80 foi o verdadeiro! A cena, mesmo no Brasil, vivia o sexo, drogas e Rock & Roll! Nunca mais se produziu algo igual! Eu presenciei a “cena” e não vi nada disso. Era um monte de cuecas com cabelos a Chitãozinho e Xororó (é assim que escreve? risos), que extrapolavam o limite da feiura, tomando cachaça em alguma praça. O mais interessante é que o autor da afirmação não tinha nem saído do escroto do pai naquela época! Preguiça.

Poderíamos falar sobre o fã, que fala das mesmas bandas, pede as mesmas músicas nos churrascos ou, ainda, sobre o quarentão (ou cinquentão - risos), “blablablazando” a respeito daquela banda underground, a qual conheceu 30 anos atrás. Ao mesmo tempo, há o fã “descartável”, que só considera música a produção de, no máximo, cinco anos atrás. Preguiça.

Música boa ou ruim (depende do gosto) é atemporal. Há espaço para tudo e para todos. O Metal tem padecido do binômio velho x novo, o que acarreta, principalmente, cada vez mais, na diminuição do público em shows (não somente no underground). Atualmente, das apresentações, que tenho visto, as de Punk/Hardcore tem recebido mais fãs. Deve ser porque os apreciadores não se preocupam com a idade das bandas ou do estilo, mas com a arte em forma de música.
Inté

*Adalberto Belgamo é professor, atuando no museu (sem ser peça... ainda - risos), colaborador do Arte Metal, além de ser Parmerista, devorador de música boa, livros, filmes e seriados. Um verdadeiro anarquista fanfarrão.

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